O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, marca o início de uma mobilização global por mais informação, respeito e inclusão das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data é o principal destaque do Abril Azul, campanha que busca ampliar o debate sobre o autismo e dar visibilidade aos desafios enfrentados por milhões de famílias.
Mais do que iluminação de prédios e ações simbólicas, o Abril Azul chama atenção para a necessidade de diagnóstico precoce, acesso a terapias e inclusão social efetiva, especialmente em estados como Alagoas, onde a rede de atendimento ainda enfrenta limitações.
Para o neuropediatra Dr. Flávio Santana, o momento é estratégico para ampliar a consciência da sociedade. “O Dia do Autismo é uma oportunidade de levar informação de qualidade para a população. Ainda existe muito desconhecimento, e isso impacta diretamente no tempo de diagnóstico e no acesso ao tratamento”, afirma.
Segundo o especialista, sinais do autismo ainda são frequentemente mal interpretados. “Muitas crianças são rotuladas como ‘difíceis’ ou ‘desobedientes’, quando, na verdade, apresentam características do espectro. Quanto mais cedo identificamos esses sinais, maiores são as chances de promover desenvolvimento e qualidade de vida”, explica.
Dados reforçam dimensão do autismo no Brasil e em Alagoas
O avanço da conscientização também passa pelo acesso a dados mais precisos. Pela primeira vez, o Censo 2022 do IBGE incluiu informações sobre o autismo, revelando que mais de 2 milhões de brasileiros declararam ter diagnóstico de TEA, o equivalente a cerca de 1% da população.
Embora o levantamento não detalhe amplamente os recortes estaduais em todas as divulgações iniciais, a estimativa proporcional indica que Alagoas também reúne milhares de pessoas dentro do espectro, refletindo a realidade nacional e evidenciando a necessidade de ampliação da rede de atendimento no estado.
Para Dr. Flávio Santana, os números são um marco, mas ainda não mostram todo o cenário. “Esse dado do IBGE é extremamente importante, porque dá visibilidade ao autismo dentro das estatísticas oficiais. Mas sabemos que ainda existe subdiagnóstico, principalmente em regiões com menos acesso a especialistas”, destaca.
O médico reforça que o impacto vai além dos números. “Estamos falando de crianças, adolescentes e adultos que precisam de suporte adequado. O desafio não é apenas diagnosticar, mas garantir inclusão na escola, no convívio social e, futuramente, no mercado de trabalho”, pontua.
Durante o Abril Azul, instituições, famílias e profissionais de saúde intensificam ações de conscientização em todo o país, reforçando que o autismo não é uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento, e que cada pessoa apresenta características únicas.
A campanha é um convite para que a sociedade avance no entendimento e, principalmente, na prática da inclusão.

