A denúncia feita pelo ex-vereador Francisco Sales na última sexta-feira (27) começa, infelizmente, a ganhar contornos de realidade, reforçando o protagonismo de quem foi o primeiro agente político em Alagoas a levantar publicamente a hipótese de que a Braskem poderia utilizar artifícios financeiros para evitar o pagamento integral do que ainda deve às vítimas do desastre ambiental em Maceió — inclusive diante do enorme passivo judicial envolvendo famílias e empresários que, até hoje, não receberam qualquer reparação.
Na última sexta-feira (27), Sales foi direto ao ponto ao advertir para o risco de um possível “calote” e até de uma eventual “fuga” da empresa de Alagoas sem quitar suas obrigações com a população atingida, posição que chamou atenção pela firmeza, pela coragem e pela capacidade de antecipar um cenário que agora passa a ganhar força com a divulgação de informações sobre o agravamento da situação financeira da companhia.
Hoje, quinta-feira (2), com a divulgação de informações sobre o suposto agravamento da situação financeira da empresa — incluindo discussões no mercado sobre uma possível recuperação judicial como alternativa para reestruturar dívidas “impagáveis” —, o alerta e a denúncia de Sales deixam de ser hipóteses distantes e passam a se consolidar como um risco concreto, exigindo atenção máxima e resposta imediata das autoridades.
“Não estou levantando falso testemunho nem fazendo qualquer acusação leviana ou caluniosa. O que estou cobrando é uma apuração rigorosa desse suposto rombo da Braskem, diante da gravidade das informações que vêm sendo divulgadas. Falta transparência por parte da empresa, e isso precisa ser enfrentado com seriedade e responsabilidade.
A busca por justiça para os moradores atingidos ainda não acabou, está longe de terminar, e não pode, em hipótese alguma, ficar dessa forma. Não se pode admitir que, depois de tudo o que aconteceu em Maceió, a empresa fiqur livre para tentar adotar a lógica do ‘devo, não nego, pago quando puder’. Ou, pior ainda, a lógica do ‘devo, nego e só pago se puder’.
Estamos falando de milhares de famílias que perderam tudo e que aguardam, até hoje, uma reparação justa, integral e definitiva. Isso não é favor, é obrigação, e precisa ser cumprida até o fim”, afirmou Sales.
O ex-vereador Francisco Sales foi o único agente político em Alagoas a levantar, com antecedência, esse cenário preocupante, alertando de forma clara para possíveis movimentos que possam comprometer o pagamento das indenizações devidas às vítimas.
Sales destacou que o caso envolve um dos maiores crimes ambientais já registrados no país e que ainda há um volume expressivo de indenizações pendentes, além de ações judiciais em andamento — inclusive no exterior — que discutem a real extensão dos danos causados e podem ampliar significativamente o passivo da empresa.
Diante do agravamento do cenário, o ex-vereador cobrou atuação firme e imediata das instituições, defendendo que o Ministério Público de Alagoas, o Ministério Público Federal, as Defensorias Públicas e o Poder Judiciário acompanhem cada passo da situação, cobrem explicações formais e adotem medidas concretas para garantir que nenhum direito das vítimas seja comprometido.
Com atuação histórica na defesa dos atingidos, Sales lembrou que enfrentou o tema ainda na Câmara Municipal de Maceió, quando presidiu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o caso. “Essa luta é antiga, permanente e sempre esteve ao lado das vítimas, mesmo quando muitos optaram pelo silêncio”, declarou.
Por fim, Sales reforçou que seguirá vigilante diante dos desdobramentos. “Não estamos aqui para fazer acusações levianas, mas para evitar que um dano ainda maior se consolide. Reparação não é favor — é obrigação. E precisa ser cumprida integralmente até o fim”, concluiu.

