Nos últimos dias, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou uma rodada de negociações políticas com foco na construção de sua pré-campanha ao Palácio do Planalto. Pré-candidato à Presidência, ele busca consolidar palanques estaduais e estruturar candidaturas estratégicas do partido para as eleições deste ano.
De acordo com aliados, o parlamentar trabalha para fechar o desenho das disputas locais do Partido Liberal (PL) antes do início de março, quando pretende participar de eventos de lançamento de pré-candidaturas. Com aval direto do pai, Jair Bolsonaro, Flávio tem atuado para resolver impasses internos da sigla em diferentes estados.
Entre terça (24) e quarta-feira (25), o senador anunciou desfechos considerados estratégicos no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. No Rio, venceu a disputa interna com o governador Cláudio Castro (PL) e emplacou como candidato ao Palácio Guanabara o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas (PL). Também comunicou que o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, não teria espaço na legenda para disputar a reeleição.
Já em Santa Catarina, sob orientação do ex-presidente, Flávio anunciou uma chapa pura do PL ao Senado, formada por Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro, seu irmão. A decisão contrariou planos do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e reforçou a influência do senador nas articulações legislativas.
A intensificação das agendas ocorre após viagens internacionais do pré-candidato. Durante o Carnaval, ele esteve nos Estados Unidos para discursar na organização conservadora PragerU. Antes disso, passou por compromissos no Oriente Médio e na Europa.
Nessa quarta-feira, Flávio visitou o pai na Papudinha, onde Jair Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. Mais tarde, reuniu deputados e senadores do partido para pedir união em torno de seu projeto presidencial. Parlamentares classificaram o encontro como uma agenda de alinhamento interno.
Anotações obtidas pelo site Metrópoles indicam o envolvimento direto do senador na montagem dos palanques estaduais. Em um dos registros, ele menciona a chapa de reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), questionando o nome do vice, Felício Ramuth (PSD). Flávio deve se reunir com Tarcísio nesta sexta-feira (27) para tratar da construção de seu palanque no maior colégio eleitoral do país.
Nas próximas semanas, o senador também deve iniciar viagens pelo Brasil. Segundo Valdemar Costa Neto, ele precisa começar “agora” a percorrer os estados. A agenda prevê presença na Paraíba, em 22 de março, para o lançamento da pré-candidatura de Efraim Filho ao governo estadual, além de passagem pelo Rio Grande do Sul no dia 28. Há ainda expectativa de participação em ato na avenida Paulista, em São Paulo, no próximo dia 1º.
A estratégia do PL inclui lançar até 11 candidatos a governador e ampliar a bancada no Senado, meta considerada prioritária por Jair Bolsonaro. Flávio também busca atrair partidos de Centro, abrindo espaço nas chapas locais para fortalecer sua candidatura nacional, especialmente no Nordeste — região onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provável candidato à reeleição, mantém melhor desempenho.
Além das articulações externas, o senador tem atuado como mediador de conflitos internos. Uma das tensões envolve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, alvo de críticas dentro do grupo bolsonarista.
O deputado Eduardo Bolsonaro chegou a cobrar publicamente apoio dela e de Nikolas Ferreira (PL-MG) à pré-candidatura de Flávio. Em gesto de apaziguamento, o senador negou qualquer rusga e reforçou a necessidade de união partidária para viabilizar sua campanha ao Planalto.

