Na mesma semana em que o Tribunal de Justiça derrubou a lei estadual que criou o piso mínimo para os profissionais da enfermagem, o governador Paulo Dantas (MDB) vetou a criação do trem da alegria para juízes e desembargadores em tempos de crise e aumento da extrema pobreza: o pagamento de uma licença-prêmio com impacto de R$ 66 milhões nos cofres estaduais. Um dos desembargadores chegaria a receber R$ 1 milhão (30 licenças-prêmio). Pelo menos um juiz ganharia R$ 808,5 mil. O aval para o pagamento da licença-prêmio poderia ser dado pelo presidente do tribunal, desembargador Klever Loureiro, quando ocupou o governo por pouco mais de um mês, de abril a maio.
Mas os deputados só aprovaram o projeto mês passado. Nesta semana, Dantas vetou alegando “vícios de inconstitucionalidade formal e vedação eleitoral”. Assim o projeto volta para a Assembleia, à qual cabe manter ou derrubar a decisão do governador. Evitou atrair para si o foco da imprensa nacional em mais um escândalo envolvendo a magistratura alagoana. Por coincidência o TJ derrubou esta semana o piso dos enfermeiros, sancionado pelo então governador Renan Filho (MDB) em 14 de janeiro, depois de ser aprovado pelos deputados. O TJ alegou vício de iniciativa, ou seja, a lei deveria ser proposta pelo governador e não um deputado estadual.
Nas redes sociais, Paulo Dantas garantiu que está encaminhando para a Assembleia Legislativa projeto de lei que trata da implantação do piso local nos mesmos moldes da lei anterior. E vai conversar com o presidente Marcelo Victor (MDB) para que a aprovação na Casa seja rápida. Estes dois movimentos do governador coincidem com a vantagem dele nas pesquisas, mas num cenário em que ele ainda não é o favorito absoluto para chegar ao segundo turno. Aliás, todos os quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas se espalham na capital e no interior, buscando ultrapassar o governador. O senador Fernando Collor (PTB) se divide principalmente nos interiores mais distantes de Maceió onde o lulismo tem mais força.
Os comitês identificam que existem eleitores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que votam em Collor. O senador Rodrigo Cunha (União Brasil) enfrenta a duríssima popularidade de Renan Filho, que lidera com folga a disputa ao Senado após 8 anos de governo, atacando as fragilidades dos Calheiros e de Paulo Dantas. Segurança pública e a pobreza foram os focos da campanha esta semana. E o governo vai sentindo o peso das críticas e tenta mostrar que os casos de homicídio caíram na era Renan Filho mesmo depois da passagem do ex-secretário de Segurança Pública Alfredo Gaspar de Mendonça na administração estadual.
O ex-SSP apoia Cunha. O senador não se posiciona na disputa presidencial e mantém a estratégia: Bolsonaro distante do seu palanque, apesar do apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), que sumiu dos guias eleitorais. Lira é associado ao orçamento secreto e irregularidades na execução do dinheiro. Já o prefeito JHC (PSB) aparece ostensivamente pedindo votos a Rodrigo Cunha. E Jota anunciou esta semana investimentos na capital, tanto na limpeza das praias quanto na construção de um novo mercado público, o que acaba puxando para cima o nome do aliado no maior colégio eleitoral de Alagoas.
Fonte – Tribuna Hoje
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