“Mas é preciso ter força, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre.” Os versos eternizados na voz de Elis Regina, na canção composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, refletem a resiliência, a coragem e a determinação que marcam a trajetória de muitas mulheres brasileiras. Essas qualidades também estão presentes no cotidiano das policiais militares que ajudam a construir a história da Polícia Militar de Alagoas.
Atualmente, a corporação conta com 1.292 mulheres em seu efetivo, o que representa 20,84% do total de integrantes. Elas estão presentes em diversas áreas de atuação, como o policiamento ostensivo, quadros de saúde e de música, além de funções administrativas e em tropas especializadas.
No dia a dia da instituição, as policiais exercem diferentes funções operacionais e estratégicas. Elas coordenam bases comunitárias, ministram instruções, realizam patrulhamento a pé, em viaturas e motocicletas, além de atuarem com cavalos, cães e equipamentos de proteção. A presença feminina também se estende às atividades realizadas em ruas, mares e até no espaço aéreo.
Dentro da hierarquia militar, as mulheres ocupam postos e graduações variados e estão distribuídas em todos os quadros da instituição. Cada uma contribui com sua própria trajetória, marcada por disciplina, dedicação e compromisso com o serviço prestado à sociedade.
Entre essas histórias está a da capitã Raquel Morais, atualmente lotada na Academia de Polícia Militar. Natural de Patos, no sertão da Paraíba, ela ingressou na corporação em 2013 e se mudou sozinha para Maceió em busca do sonho de se tornar policial militar.
Após concluir o Curso de Formação de Oficiais, a capitã iniciou sua carreira no 2º Batalhão, em União dos Palmares. Foi nesse período que conheceu o marido, também policial militar, e formou sua família. Hoje, ela é mãe de dois filhos: uma menina de sete anos e um menino de cinco.
Com o nascimento da primeira filha, a rotina no interior tornou-se mais desafiadora, especialmente pela ausência de familiares próximos em Alagoas. Diante disso, a militar foi transferida para o Colégio da Polícia Militar, em Maceió, e posteriormente para a Academia de Polícia Militar, onde atualmente exerce a função de chefe do Corpo de Alunos.
No cargo, sua principal responsabilidade é orientar, instruir e coordenar os alunos em formação na unidade de ensino. O trabalho envolve tanto cursos de ingresso quanto de aperfeiçoamento, sempre reforçando valores fundamentais da corporação, como hierarquia e disciplina.
Para a capitã, comandar como mulher dentro da instituição representa um símbolo de força e sensibilidade ao mesmo tempo. Segundo ela, ocupar posições de liderança demonstra que as mulheres podem atuar em qualquer espaço, inclusive em áreas tradicionalmente dominadas por homens.
Ela também destaca que o espaço conquistado pelas mulheres na instituição é resultado do esforço coletivo de várias gerações. De acordo com a oficial, a presença feminina agrega equilíbrio, sensibilidade e competência às atividades da corporação.
Outra história que representa a força feminina na instituição é a da soldado Vanessa Melo, integrante da Polícia Militar de Alagoas desde 2023. Natural de Limoeiro, em Pernambuco, ela atualmente faz parte da Companhia de Policiamento de Choque e é mãe de um menino de três anos.
Antes de ingressar na corporação, Vanessa teve outras experiências profissionais, mas afirma que foi na carreira policial que encontrou sua verdadeira vocação. Para ela, ser policial militar representa força, superação e determinação, além de uma grande responsabilidade.
Atuar em uma profissão majoritariamente masculina também exige preparo e disciplina constantes. Segundo a soldado, o trabalho requer comprometimento, preparo físico e firmeza para lidar com as exigências da função, fatores que se transformam em desafios diários, mas também em oportunidades de crescimento pessoal.
Para equilibrar a rotina entre trabalho e família, Vanessa conta com o apoio fundamental da mãe. Ela destaca que esse suporte é essencial para conseguir conciliar os papéis de policial, mãe, filha e mulher.
Na visão da militar, a presença feminina traz novas perspectivas para a atuação policial. Sensibilidade, empatia e firmeza são características que fortalecem o trabalho da corporação e contribuem para a missão de servir e proteger a população alagoana.
Como forma de celebrar a presença das mulheres na instituição, a corporação promoveu, na última quarta-feira (4), uma programação especial voltada às policiais militares. O encontro reuniu cerca de 40 integrantes em um momento de integração e lazer.
A atividade principal foi uma aula prática de canoa havaiana, realizada pelo Clube de Canoagem João Tomasini. O evento ocorreu na sede do Motonáutica, localizada no Complexo Mundaú-Manguaba, no bairro do Pontal da Barra.
A programação começou com um coffee break e atividades recreativas organizadas pelo Departamento de Educação Física e Desporto da corporação. Em seguida, as participantes participaram de um passeio pela Lagoa Mundaú.
Durante a experiência, as policiais remaram em uma embarcação do tipo “Dragon Boat”, modalidade que valoriza a sincronia, o ritmo e a força coletiva das participantes. Ao final, as militares retornaram ao clube, onde receberam kits comemorativos, homenagens e participaram de sorteios de brindes oferecidos por apoiadores da ação.
A presença feminina na corporação, porém, começou décadas antes. O primeiro passo ocorreu em 1988, quando as pioneiras do oficialato foram enviadas para formação nos estados de Pernambuco e Minas Gerais.
Após concluírem a capacitação, elas retornaram a Alagoas em 1990 para atuar na segurança pública. Na época, o estado ainda não possuía uma academia própria de formação policial.
No ano seguinte, em 1989, outro marco foi registrado na história da corporação. Um grupo de 35 mulheres concluiu o primeiro Curso de Formação de Soldados Femininos, enquanto outras 11 finalizaram o Curso de Formação de Sargentos Femininos.
Essas 46 pioneiras abriram caminho para as gerações seguintes. Passados 38 anos, o número de mulheres na corporação ultrapassa a marca de mil policiais.
Hoje, essas profissionais continuam ampliando sua presença dentro da instituição, ocupando espaços e escrevendo novas páginas na história da corporação. A coragem e a determinação que marcaram as pioneiras permanecem presentes nas policiais da atualidade, que seguem firmes na missão de servir e proteger a sociedade.

