O relatório paralelo que será apresentado pelo governo na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS prevê o indiciamento de 170 pessoas e atribui à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro falhas estruturais que teriam permitido a expansão de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias.
O documento sustenta que mudanças normativas realizadas durante o governo anterior reduziram mecanismos de controle e criaram condições favoráveis para o avanço do esquema. A avaliação também busca afastar a responsabilidade do atual governo, argumentando que o crescimento das irregularidades em 2023 e 2024 estaria ligado a acordos firmados ainda na administração passada.
A base governista pretende aprovar esse relatório como parecer final da CPMI, em disputa direta com o texto apresentado pela oposição. O relatório oposicionista, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), tem mais de 5 mil páginas e pode incluir mais de 200 indiciados.
Estrutura do esquema
O relatório governista descreve a atuação de uma organização dividida em oito núcleos, todos ligados a um núcleo central responsável pela articulação do esquema.
Entre eles, estão entidades e grupos que atuariam na operacionalização dos descontos, articulação financeira, criação de empresas de fachada e uso indevido de dados de aposentados. O núcleo central seria liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como principal operador do esquema.
Segundo o documento, esses grupos atuavam de forma coordenada, com ramificações em diferentes estados, incluindo São Paulo, Ceará, Sergipe, Minas Gerais e o Distrito Federal.
Disputa política
A sessão que analisará os relatórios deve ser marcada por forte disputa política. Governistas e oposição divergem sobre a responsabilização pelas fraudes e tentam emplacar suas versões como conclusão oficial da comissão.
Enquanto o relatório do governo aponta falhas herdadas da gestão anterior, o texto da oposição amplia o número de investigados e pode incluir nomes ligados ao atual cenário político.
A definição do parecer final dependerá da votação dos membros da CPMI.

