Os parlamentares da base governista na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS protocolaram, nesta sexta-feira (27), um relatório paralelo que pede o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outras 129 pessoas. O documento, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), surge como um contraponto direto ao parecer oficial do relator, o deputado alagoano Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). A estratégia do grupo governista é rejeitar o texto de Gaspar na votação do colegiado para, em seguida, aprovar a sua própria versão dos fatos.
Em declarações à imprensa no Senado, Paulo Pimenta afirmou que Jair Bolsonaro atuou como o cérebro de uma organização criminosa instalada para fraudar o instituto. O relatório alternativo detalha acusações graves contra o ex-mandatário, sugerindo que ele responda por furto qualificado praticado contra idosos, organização criminosa e improbidade administrativa. Segundo o texto ao qual o jornalismo teve acesso, a fundamentação jurídica se baseia em artigos do Código Penal e na Lei 12.850 de 2013, que trata de associações criminosas estruturadas.
A ofensiva governista visa vincular a gestão anterior a esquemas que prejudicaram diretamente os segurados da previdência social. O pedido de indiciamento em massa reflete a alta tensão política no encerramento da comissão, que tem prazo final para este sábado (28). Enquanto a oposição critica o relatório paralelo classificando-o como uma peça de perseguição política, o governo foca na mobilização de votos para tentar emplacar as conclusões de Pimenta e encaminhar as denúncias ao Ministério Público Federal para a abertura de processos judiciais.

