A União Europeia reagiu com cautela e preocupação à ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, fez um apelo público neste sábado (3) pedindo “contenção” e o estrito respeito ao direito internacional, logo após o presidente Donald Trump anunciar a captura de Nicolás Maduro.
Kallas informou, por meio da rede social X, que manteve contato direto com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Embora tenha reiterado que a UE questiona a legitimidade democrática do regime de Maduro, a diplomata enfatizou que qualquer ação deve observar a Carta das Nações Unidas. “Em qualquer circunstância, devem ser respeitados os princípios do direito internacional. Fazemos um apelo à contenção”, escreveu.
A madrugada em Caracas foi marcada pelo caos. Testemunhas e agências internacionais relataram múltiplas explosões a partir das 2h da manhã (6h no horário de Brasília). Aeronaves foram vistas sobrevoando a capital e colunas de fumaça preta atingiram pontos estratégicos não apenas em Caracas, mas também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Antes de ser capturado, segundo o anúncio de Trump, Maduro havia decretado estado de emergência nacional e convocado a mobilização total das forças de defesa.
O posicionamento da Europa reflete o temor global de uma escalada de violência incontrolável na América Latina. Enquanto Washington celebra o que chama de “restauração da justiça”, Bruxelas sinaliza que a comunidade internacional deve zelar para que o desfecho da crise venezuelana não ocorra à margem das normas globais de soberania e direitos humanos.

