As festas de Carnaval de 2026 contaram com pelo menos R$ 85,2 milhões em recursos federais, somando emendas parlamentares e patrocínios de órgãos ligados ao governo, como Caixa Econômica Federal e Embratur.
Levantamento do jornal Folha de S. Paulo, com base em publicações nos diários oficiais e dados de execução orçamentária até a última quarta-feira (12), identificou repasses vinculados a termos como “Carnaval”, “desfile” e “escola de samba”. Do total, cerca de R$ 52 milhões tiveram origem em emendas indicadas por parlamentares.
Em ano pré-eleitoral, a destinação de recursos para festas populares costuma ganhar relevância política, por ampliar a presença de lideranças em seus redutos eleitorais.
Controvérsia sobre patrocínio no Rio
Um dos repasses que gerou questionamentos foi o patrocínio de R$ 1 milhão da Embratur à escola Acadêmicos de Niterói, que vai homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no desfile da Marquês de Sapucaí. A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, é esperada no desfile.
Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) recomendaram a suspensão cautelar do patrocínio. No entanto, o relator do processo, ministro Aroldo Cedraz, optou por solicitar esclarecimentos ao governo federal, à Embratur e à Liga Independente das Escolas de Samba antes de decidir sobre o caso.
A Embratur informou que o valor faz parte de um pacote de R$ 12 milhões destinados ao Carnaval do Rio de Janeiro, com R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial, repetindo o modelo adotado no ano anterior. A agência também confirmou o repasse de R$ 450 mil para eventos em Salvador, Rio e Olinda.
Patrocínios da Caixa e investimentos locais
A Caixa Econômica Federal aprovou R$ 14,8 milhões em patrocínios para o Carnaval 2026. Entre os contratos firmados estão R$ 6,3 milhões para o “Camarote Viva Bahia”, em Salvador; R$ 1,8 milhão para o “Nosso Camarote”, no Rio de Janeiro; e R$ 800 mil para a festa em Belo Horizonte. Também receberam recursos blocos e shows em Pernambuco e na Bahia, com apresentações de artistas como BayanaSystem, Luiz Caldas e Saulo.
Em 2025, a Caixa havia destinado R$ 12,9 milhões ao período carnavalesco, dentro de um total anual de R$ 556 milhões em contratos de patrocínio.
Além das verbas federais, governos estaduais e municipais ampliaram investimentos. No Rio de Janeiro, o governo estadual liberou R$ 40 milhões, enquanto a Riotur destinou R$ 51,6 milhões às escolas de samba. Em São Paulo, a prefeitura reservou R$ 30,2 milhões para a folia.
Impacto econômico
O Ministério do Turismo estima que o Carnaval de 2026 reúna 65 milhões de participantes em todo o país — crescimento de 22% em relação a 2025 — e gere uma movimentação financeira de aproximadamente R$ 18,6 bilhões, segundo projeções da FecomercioSP.
Entre as emendas parlamentares, a bancada da Bahia concentra mais de R$ 30 milhões direcionados a festas em diversos municípios. A Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados também destinou mais de R$ 9 milhões para eventos carnavalescos.
O levantamento não contabiliza despesas indiretas, como projetos financiados por meio de leis de incentivo fiscal.

