O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) respondeu, neste domingo (22), à declaração do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, de que não cabe apenas ao ex-presidente Jair Bolsonaro decidir sobre as indicações de candidatos para as eleições de outubro.
A fala de Valdemar ocorreu após Carlos afirmar que Bolsonaro estaria organizando, da prisão, uma lista de pré-candidatos ao Senado e aos governos estaduais que receberiam o apoio da legenda. Em publicação na rede X, o ex-vereador declarou que a iniciativa partiu do próprio pai e negou que houvesse intenção de impedir outros integrantes do partido de sugerirem nomes.
“O que me foi orientado é que ele faria uma lista de candidatos que ele apoiaria. Creio que o PL poderia dar uma força inclusive em outras situações”, escreveu Carlos.
Na mesma manifestação, ele insinuou que o ex-presidente estaria cada vez mais isolado dentro do partido, classificando o cenário como “cada dia mais estranho”. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Em entrevista, Valdemar afirmou que há entendimento interno de que todos os membros do PL podem sugerir e indicar candidatos. “Todos no partido têm o direito de sugerir nomes para qualquer posição”, declarou.
As declarações evidenciam um racha dentro da legenda. Um dos pontos de tensão envolve a possível candidatura da deputada Caroline de Toni (PL-SC) ao Senado por Santa Catarina, em chapa alinhada aos filhos de Bolsonaro. A articulação contraria acordo firmado entre Valdemar e o presidente do PP, Ciro Nogueira, para apoiar a reeleição de Esperidião Amin (PP-SC).
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também defendem a candidatura da deputada. Em meio às divergências, Carlos chegou a afirmar que o partido estaria “organizado” para atacar os filhos de Bolsonaro, ampliando o clima de tensão interna no PL.

