Comprar um carro zero-quilômetro no Brasil continua sendo um dos maiores desafios financeiros para o consumidor. Atualmente, a carga tributária sobre veículos pode representar entre 30,6% e 48,6% do preço final, dependendo do modelo, motorização e origem do automóvel.
O cenário coloca o Brasil no topo do ranking mundial de tributação sobre veículos, superando países como Itália, Alemanha, Japão e Estados Unidos.
Segundo especialistas do setor automotivo, em um carro de R$ 100 mil, quase metade do valor pago pelo consumidor corresponde a impostos.
Brasil lidera ranking de impostos
Enquanto o Brasil acumula tributos como IPI, ICMS, PIS e Cofins, países europeus trabalham com sistemas mais simples de IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
Veja a comparação estimada da carga tributária sobre veículos:
- Brasil: até 48,6%
- Itália: 22%
- Alemanha: 19%
- Reino Unido: 20%
- Japão: cerca de 13%
- Estados Unidos: média de 7%
O principal problema apontado pelo setor é o chamado “efeito cascata”, quando um imposto incide sobre outro já embutido no preço do veículo.
Reforma tributária pode elevar custo
Apesar da promessa de simplificação tributária, o mercado automotivo teme que a reforma tributária aumente ainda mais o preço dos veículos novos a partir de 2027.
Isso porque, além do novo IVA brasileiro — formado pela CBS e pelo IBS —, o governo pretende implementar o chamado Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”.
A proposta prevê cobrança extra sobre produtos considerados prejudiciais ao meio ambiente ou à saúde pública, incluindo veículos movidos a combustão.
Segundo informações debatidas no Congresso Megatendências 2026, a alíquota do novo imposto pode variar entre 12% e 18%, dependendo de critérios como:
- emissão de carbono;
- eficiência energética;
- reciclabilidade;
- produção nacional;
- nível tecnológico;
- etapas fabris realizadas no Brasil.
Especialistas alertam que, somando IVA e Imposto Seletivo, a carga tributária total pode superar a atual.
Carro popular continua distante
Mesmo com incentivos recentes do programa federal “Carro Sustentável”, que zerou o IPI de alguns modelos compactos até 2026, o impacto no bolso do consumidor ainda é limitado.
Hoje, o carro zero mais barato vendido no país custa cerca de R$ 77 mil.
O consultor automotivo Milad Kalume afirma que o brasileiro precisa desembolsar aproximadamente 50 salários mínimos para comprar um veículo básico, além de arcar com IPVA, licenciamento e outros custos obrigatórios.
Transição será gradual
A reforma tributária começará a ser implementada de forma mais ampla em 2027, mas a transição completa deve ocorrer apenas em 2033.
Até lá, o setor automotivo deverá conviver simultaneamente com os impostos atuais e os novos tributos previstos na reforma.

