Os laudos da Polícia Científica de Santa Catarina não identificaram fraturas nos ossos do cão comunitário Orelha e concluíram que não é possível determinar a causa da morte do animal. A análise foi realizada após a exumação do corpo.
Obtido pela CNN Brasil, o material pericial também incluiu a avaliação de imagens de câmeras de segurança registradas no dia do desaparecimento, na Praia Brava, em Florianópolis.
No exame necroscópico, os peritos relataram que o corpo estava em avançado estado de putrefação e esqueletização, o que inviabilizou a análise de tecidos moles e órgãos internos. Diante disso, a perícia concentrou-se exclusivamente na avaliação óssea, sem constatar qualquer fratura, inclusive no crânio. O documento destaca que todos os ossos foram minuciosamente examinados, sem sinais de lesão compatível com ação humana, embora a ausência de fraturas não descarte a possibilidade de traumatismo cranioencefálico.
Em relação aos boatos que circularam nas redes sociais, o laudo afastou a hipótese de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal. Segundo os peritos, esse tipo de agressão deixaria fratura circular no crânio, vestígio que não foi encontrado.
Além disso, o exame identificou patologias crônicas compatíveis com a idade do cão, como espondilose na coluna, degenerações articulares nos joelhos e osteomielite crônica no maxilar esquerdo. De acordo com o relatório, essas condições não têm relação com eventual trauma recente.
Na análise das imagens, sete vídeos gravados na madrugada e na manhã de 4 de janeiro de 2026 foram examinados. Durante o período, não foram observadas alterações significativas na locomoção do animal nem indícios aparentes de comprometimento motor.
As gravações mostram Orelha deitado na área de acesso de um condomínio por cerca de 63 minutos, entre 6h36 e 7h39, enquanto ao menos 13 pessoas passaram pelo local sem interação relevante. Em seguida, o cão deixou o espaço caminhando normalmente. Também não foram identificados sinais claros de adulteração nos vídeos.
O caso segue sob investigação após pedido de exumação feito pelo Ministério Público de Santa Catarina. A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou à Justiça a internação de um dos adolescentes suspeitos, medida equivalente à prisão no sistema adulto. O processo tramita sob sigilo, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

