O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou um processo administrativo para investigar possíveis práticas anticoncorrenciais das companhias aéreas Gol e Latam no mercado doméstico brasileiro. A investigação foca em indícios de um alinhamento sistemático de preços em rotas comerciais estratégicas, o que pode ter prejudicado a livre concorrência e elevado os custos para os passageiros. O órgão agora aprofunda a análise sobre como o uso de ferramentas digitais e bases de dados comuns pode ter facilitado uma coordenação de tarifas entre as duas gigantes do setor.
A apuração, iniciada em 2023, revelou um padrão persistente de interdependência nas movimentações de preços. O Cade suspeita que a utilização convergente de algoritmos de precificação dinâmica e o compartilhamento de informações sensíveis por meio de fornecedores de inteligência tarifária tenham reduzido a incerteza concorrencial. Em mercados altamente concentrados, como o setor aéreo, esse tipo de transparência tecnológica pode gerar uma colusão tácita, onde as empresas deixam de competir de fato para monitorar e replicar os movimentos uma da outra em tempo real.
Em nota, a Gol negou qualquer prática irregular e afirmou que sempre defendeu a liberdade tarifária, colocando-se à disposição das autoridades. A Latam também repudiou categoricamente as suspeitas, reforçando que atua com rigorosos padrões de integridade e compliance. O caso segue agora para a fase de defesa das empresas, e a decisão final caberá ao Tribunal do Cade, que poderá aplicar multas pesadas caso as violações à ordem econômica sejam comprovadas.

