O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) responsabilizou os governos Renan Filho e Paulo Dantas pela não conclusão do Matadouro Regional de Viçosa e afirmou que a obra, anunciada em 2018 com previsão de R$ 10 milhões, segue inacabada oito anos depois, gerando prejuízos econômicos para Alagoas. O parlamentar lembrou que, anos antes, os Ministérios Públicos Estadual e Federal determinaram o fechamento de matadouros no estado por questões trabalhistas e sanitárias, no intuito de melhorar o serviço prestado à população.
Segundo o deputado, a construção do matadouro regional foi anunciada como solução para suprir a demanda após o fechamento das unidades consideradas irregulares, mas nunca foi efetivamente concluída. A unidade, projetada para abater até 150 animais por dia, entre bovinos, caprinos e suínos, não saiu do papel dentro do prazo estabelecido ainda na gestão de Renan Filho.
Em 2021, na tentativa de viabilizar o equipamento, o governo estadual concedeu a administração do abatedouro à iniciativa privada, sendo o primeiro do tipo no estado a passar por esse modelo. À época, foi anunciado que a operação teria início até dezembro daquele ano, o que também não ocorreu.
Para Cabo Bebeto, a ausência de funcionamento do matadouro em Alagoas, somada às medidas adotadas em 2023 pelo governo Paulo Dantas, resultou no esvaziamento da atividade no estado. O parlamentar citou a concessão de isenção de ICMS para incentivar criadores a realizarem o abate em Pernambuco e afirmou que a política acabou fortalecendo a indústria frigorífica em Canhotinho, onde a unidade da Master Boi, inaugurada em 2022, passou a concentrar a produção que deveria permanecer em território alagoano.
Diante da falta de estrutura em funcionamento em Viçosa, criadores de municípios como Viçosa, Chã Preta, Quebrangulo, Paulo Jacinto, Cajueiro, Capela, Boca da Mata, Mar Vermelho, Pindoba e Tanque D’Arca passaram a destinar seus rebanhos para o abate em Pernambuco, a cerca de 90 quilômetros de distância.
O deputado afirmou que o cenário evidencia prejuízos diretos ao estado e criticou a condução do projeto. “Estamos vendo o dinheiro enferrujando e jogado no mato. São R$ 10 milhões de dinheiro público. Dinheiro este que falta para arrumar escolas, ar-condicionados, portas de banheiros. É o retrato da falta de compromisso de Renan Filho e Paulo Dantas”, declarou.
“A quem interessa fortalecer o comércio de outro estado em detrimento do seu próprio estado? Estamos deixando de arrecadar, o comerciante está levando seu gado para outro estado e lá sim está gerando emprego e renda”, concluiu Cabo Bebeto.

