O Ministério da Fazenda oficializou a conclusão de uma parceria estratégica entre a Receita Federal e a agência de fronteiras dos Estados Unidos (CBP) para enfrentar o crime organizado transnacional. A iniciativa, batizada de Projeto MIT, estabelece uma cooperação inédita em inteligência e operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes em portos e aeroportos. O acordo é fruto do diálogo diplomático entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, focando na segurança das fronteiras e na desarticulação logística das facções criminosas.
Um dos pilares da parceria é o lançamento do sistema informatizado Desarma, que permitirá o rastreamento internacional de armas em tempo real. Por meio desta ferramenta, a aduana brasileira notificará as autoridades norte americanas sempre que identificar produtos de origem americana, como munições, explosivos e componentes bélicos. Segundo o ministro Dario Durigan, a troca de informações sobre contêineres e dados de inteligência busca criar uma rede de reciprocidade que impeça o fluxo de materiais sensíveis. Nos últimos doze meses, o Brasil já interceptou meia tonelada de armas e 1,5 tonelada de drogas sintéticas.
O anúncio ocorre em meio a discussões em Washington sobre a possível classificação das facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Embora o Itamaraty tenha manifestado oposição à medida, a Casa Branca avalia se tais grupos representam risco à segurança interna dos EUA. A cooperação atual sinaliza um pragmatismo nas relações bilaterais, superando atritos recentes e priorizando o combate ao tráfico de armas e ao fortalecimento da fiscalização aduaneira entre as duas maiores economias das Américas.

