A articulação para a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs) visando investigar o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, revela uma rara convergência entre os polos opostos do espectro político nacional. Levantamento recente aponta que as bancadas do PL e do PT concentram o maior volume de assinaturas favoráveis às apurações, disputando o protagonismo nas investigações sobre possíveis irregularidades na instituição financeira.
Na Câmara dos Deputados, o PL, que detém a maior bancada, conta com a adesão de 86 de seus 97 parlamentares, enquanto o PT apresenta um apoio quase total, com 64 dos 65 deputados signatários. No Senado, o cenário de unidade se repete, com a totalidade das bancadas de ambas as siglas aderindo aos requerimentos. Partidos menores, como PSOL, PDT, Novo e Cidadania, também registraram adesão integral, reforçando o coro pela instalação dos inquéritos no Congresso Nacional.
Apesar da pressão parlamentar, o processo enfrenta um entrave político central. O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, tem resistido à instalação das comissões. Alcolumbre argumenta que órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça brasileira já conduzem apurações sobre o caso, tornando a criação de uma CPMI redundante e desnecessária no momento. Segundo o senador, a decisão sobre a pauta é prerrogativa exclusiva da Presidência do Congresso.
Atualmente, o Congresso acumula oito pedidos distintos para investigar o Banco Master, a maioria já com o número mínimo de assinaturas exigido por lei. Enquanto a oposição e a base governista pressionam por uma resposta, a resistência de Alcolumbre mantém o futuro das investigações parlamentares em um impasse. O caso ilustra a complexa dinâmica de poder no Legislativo, onde a fiscalização institucional encontra barreiras institucionais e estratégicas.

