A ex-subsecretária de Defesa dos EUA, Jana Nelson, traçou um paralelo sombrio entre a invasão da Venezuela e a guerra do Iraque em 2003. Em entrevista à BBC, a especialista afirmou que, embora o ataque já fosse previsto devido à escalada de tensões, a decisão de Donald Trump de permanecer no país para controlar a indústria petrolífera surpreendeu a comunidade de inteligência por sua complexidade e riscos.
Segundo Nelson, o plano de Trump de recuperar a infraestrutura de petróleo venezuelana para ressarcir os EUA é “ingênuo”. Ela explica que as décadas de gestão sob o chavismo destruíram os processos de extração, refino e distribuição. “Não é algo que se resolve do dia para o outro”, pontuou, ressaltando que o governo republicano costuma buscar “soluções simples para problemas complexos”.
A comparação com o Iraque reside no tripé: foco no petróleo, retirada injustificada de um governo e presença militar prolongada. Nelson alerta que a situação atual é muito mais grave do que a invasão do Panamá em 1989, quando Manuel Noriega foi deposto. “A Venezuela é três vezes maior geograficamente e em população, além de possuir 20 anos de desinstitucionalização. É um cenário explosivo”, advertiu a ex-subsecretária.
Enquanto Trump promete que empresas americanas operarão as refinarias para vender o óleo a outros países, analistas temem que os EUA fiquem presos em um conflito de ocupação dispendioso. A destruição da estatal PDVSA exigiria bilhões em investimentos que o eleitorado americano, avesso a novas guerras, pode não estar disposto a custear. O precedente aberto na madrugada de 3 de janeiro de 2026 coloca a América Latina em uma instabilidade que não se via desde a Guerra Fria.

