A atuação da promotora de Justiça Gilcele Dâmaso de Almeida Lima tornou-se alvo de intensos questionamentos nos bastidores políticos de Maceió. O debate ganhou força após a revelação de que a representante do Ministério Público Estadual (MP-AL) arquivou a denúncia sobre a suposta “indústria das multas” mesmo possuindo um vínculo familiar direto com a gestão do prefeito JHC: ela é irmã de um servidor nomeado no gabinete do próprio gestor municipal.
Embora o arquivamento seja uma prerrogativa do cargo, a ausência de uma declaração formal de suspeição gerou críticas. Especialistas em Direito Administrativo apontam que, em investigações que envolvem o núcleo político do Executivo, a imparcialidade deve ser preservada não apenas na prática, mas também na aparência, para evitar que conflitos de interesses fragilizem a credibilidade das instituições de controle.
[Image representing justice scales alongside the Maceió City Hall logo to illustrate the discussion on institutional impartiality]
A repercussão do caso aumentou devido à atuação da promotora em outro tema sensível: os investimentos do IPREV Maceió. O caso, que apura riscos e possíveis prejuízos aos recursos previdenciários dos servidores municipais, é um dos mais vigiados pela opinião pública. Posteriormente, Gilcele deixou a promotoria responsável por essa apuração, e o processo seguiu sob a condução de outro membro do Ministério Público.
O episódio levanta um debate ético sobre os limites da atuação de promotores em causas que envolvam gestões onde familiares ocupam cargos de confiança. Para setores da sociedade civil e da oposição, o arquivamento da “máfia das multas” sob tais circunstâncias exige uma análise mais profunda dos órgãos de controle interno do MP, visando assegurar que as fiscalizações sobre a Prefeitura de Maceió ocorram com total transparência e isenção.

