Após passar 75 dias detida no Rio de Janeiro, a advogada e influenciadora argentina Agostina Paéz, de 29 anos, retornou a Buenos Aires nesta quinta feira (02). Ela é acusada de cometer o crime de injúria racial contra três funcionários de um bar em Ipanema, no dia 14 de janeiro, quando teria proferido xingamentos e imitado gestos de macaco. Para deixar o solo brasileiro e responder ao processo em liberdade no seu país de origem, a argentina precisou desembolsar o valor de R$ 97 mil a título de caução, montante que equivale a 60 salários mínimos e corresponde à metade da indenização total pleiteada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
Em entrevista ao jornal Clarín logo após o desembarque, Agostina reconheceu ter cometido um erro, mas criticou o que chamou de dureza excessiva das autoridades brasileiras. Segundo a influenciadora, houve um peso desproporcional na sua detenção, levantando a hipótese de que a justiça brasileira quis utilizá la como um exemplo pedagógico contra o racismo. Ela afirmou que a experiência na prisão foi um ponto de virada em sua vida e que pretende ser uma pessoa mais ponderada e menos impulsiva de agora em diante. Agostina também mencionou as perdas financeiras sofridas no período e a necessidade de retomar sua rotina de trabalho para preservar sua saúde mental.
Apesar de estar na Argentina, o processo judicial continua tramitando normalmente no Brasil e entra agora na fase de alegações finais. O desembargador Luciano Silva Barreto, ao conceder a liberdade, determinou que a ré mantenha seus dados de contato e endereço permanentemente atualizados junto à Justiça brasileira para eventuais intimações. O caso de Agostina Paéz tornou se um dos mais emblemáticos da recente legislação brasileira, que equiparou a injúria racial ao crime de racismo, tornando o imprescritível e inafiançável na fase inicial, servindo de alerta para estrangeiros que visitam o país.

