A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou nesse sábado (9) uma imagem em apoio à marca Ypê, em meio à mobilização de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. A postagem ocorreu após apoiadores iniciarem uma campanha em defesa da empresa depois da suspensão de alguns lotes de produtos pela Anvisa.
A repercussão aumentou depois que parlamentares, influenciadores e aliados políticos passaram a compartilhar mensagens de apoio à fabricante. A mobilização ganhou força mesmo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciar a suspensão de lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos pela empresa Química Amapo, responsável pela fabricação de produtos da marca.
Segundo a Anvisa, inspeções identificaram falhas nos procedimentos de controle de qualidade e possível risco de contaminação microbiológica em produtos com numeração final 1. O órgão informou que a decisão foi baseada em critérios técnicos e em fiscalizações realizadas em conjunto com vigilâncias sanitárias estaduais e municipais.
Após a divulgação da medida, apoiadores de Bolsonaro passaram a levantar suspeitas, sem apresentar provas, de que a suspensão teria motivação política. Nas redes sociais, usuários sugeriram que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria utilizando a Anvisa para perseguir empresários alinhados ao ex-presidente.
A discussão ganhou novos capítulos quando bolsonaristas passaram a compartilhar informações sobre doações eleitorais feitas por integrantes da família Beira, ligada à empresa, à campanha presidencial de Bolsonaro em 2022. Dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam que Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações da companhia, realizou uma doação de R$ 500 mil, enquanto outros membros da família somaram R$ 1 milhão em contribuições.
Em meio à repercussão, políticos e influenciadores passaram a incentivar a compra de produtos da marca. O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, divulgou vídeo em apoio à empresa, enquanto a cantora Jojo Todynho também publicou mensagens criticando a suspensão dos produtos. Apesar da pressão política nas redes, a Anvisa reforçou a orientação para que consumidores evitem utilizar os lotes afetados até a conclusão das análises técnicas.

