O governo brasileiro declarou, nesta terça-feira (13), que monitora com apreensão a intensificação dos protestos que ocorrem no Irã desde o final do ano passado, diante de informações sobre repressão violenta e mortes em diversas regiões do país. O posicionamento foi divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores em nota oficial.
No comunicado, o Brasil lamenta os óbitos registrados durante os atos e expressa solidariedade às famílias dos mortos. Simultaneamente, o Itamaraty reafirma o princípio da soberania nacional, ressaltando que cabe “apenas aos iranianos decidir sobre o futuro de seu país”.
A manifestação ocorre após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que incitou os manifestantes iranianos e afirmou que “a ajuda está a caminho”.
“O Brasil insta todos os atores a se engajarem em um diálogo pacífico, substantivo e construtivo”, afirma o texto.
Declarações de Trump
Mais cedo, Trump enviou uma mensagem direta aos manifestantes, incentivando-os a permanecer nas ruas. “Patriotas iranianos, continuem protestando. Derrubem suas instituições. (…) A ajuda está a caminho”, escreveu em rede social.
Nos últimos dias, o republicano tem ameaçado intervir no país caso a repressão aos protestos se mantenha de forma violenta. Na mesma publicação, ele adaptou o slogan “Make America Great Again” (MAGA) para o contexto iraniano, usando a expressão “MIGA”.
Enquanto isso, a situação no Irã segue se deteriorando. De acordo com a imprensa internacional, aproximadamente 2 mil pessoas já morreram desde o início dos protestos.
Acompanhamento da comunidade brasileira
Segundo o governo brasileiro, a Embaixada do Brasil em Teerã mantém atenção à situação e contato com os cidadãos brasileiros que residem no país. Até o momento, não há registro de mortos ou feridos entre brasileiros em decorrência dos confrontos.
Os protestos no Irã, que começaram motivados por crise econômica, rapidamente se ampliaram para manifestações contra o regime dos aiatolás. Organizações de direitos humanos relatam centenas de mortos, enquanto o governo iraniano contesta os números e atribui parte da violência a grupos que classifica como “terroristas”.
A posição brasileira se soma a manifestações de preocupação feitas por outros países e organismos internacionais, que seguem cobrando moderação das forças de segurança iranianas e respeito aos direitos humanos.
O cenário é agravado por cortes no acesso à internet e restrições à imprensa, o que dificulta a verificação independente dos acontecimentos no território iraniano.
O Itamaraty não mencionou possíveis sanções ou medidas diplomáticas adicionais, reforçando, por ora, a defesa do diálogo como caminho.

