O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), avaliou que a possível imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos a países que mantêm relações comerciais com o Irã não deve trazer efeitos significativos para a economia brasileira. A medida, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump na segunda-feira (12), ainda não foi oficialmente formalizada.
Segundo Alckmin, o Irã tem participação reduzida no comércio exterior do Brasil, o que limita eventuais impactos. O vice-presidente destacou que o saldo da balança comercial é favorável ao Brasil. “O Irã é um parceiro pouco relevante para o nosso comércio exterior. Está no fim da lista e, além disso, exportamos muito mais para eles do que importamos”, afirmou em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.
Alckmin também apontou dificuldades práticas para a implementação da tarifa de forma ampla, especialmente em relação a países europeus que mantêm relações comerciais com Teerã. Para ele, a aplicação da medida exigiria atingir dezenas de nações, o que tornaria sua execução complexa. O governo brasileiro, segundo o vice-presidente, aguarda a publicação de uma eventual ordem executiva para avaliar possíveis desdobramentos.
Atualmente, o Brasil exporta cerca de US$ 2,5 bilhões ao Irã, enquanto as importações provenientes do país asiático não chegam a US$ 200 milhões. “Não vejo uma relação direta com o chamado tarifaço. Para aplicar essa sobretaxa, seria necessário atingir mais de 70 países, incluindo nações da Europa”, observou.
A proposta de taxação integra o pacote de pressões econômicas dos Estados Unidos contra o governo iraniano, em meio ao aumento das tensões políticas internas e aos protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Em comunicado divulgado nas redes sociais, Trump afirmou que qualquer país que mantenha negócios com o Irã estaria sujeito à tarifa de 25% em transações com os EUA, reforçando que a decisão teria aplicação imediata — embora, até o momento, ainda não tenha sido oficializada.

