Uma pesquisa realizada pelo Instituto DataSenado com 21.641 brasileiras, em 2025, revelou que 71% dos casos de violência contra a mulher são presenciados por outras pessoas, entre crianças e adultos. O levantamento também aponta que 40% das testemunhas adultas não adotam nenhuma atitude para ajudar a vítima no momento da agressão.
Em Alagoas, os números também chamam atenção. Dados do Painel do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) mostram que o estado registrou 2.143 casos de violações contra mulheres no primeiro semestre de 2026, alta de 0,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 2.126 registros. Em Maceió, o aumento foi ainda maior: passaram de 803 para 884 casos no comparativo anual, crescimento de 10,08%.
Apesar da quantidade de ocorrências, o número de denúncias formalizadas segue baixo. Dos 2.143 casos registrados no estado nos seis primeiros meses deste ano, apenas 280 protocolos de denúncia foram efetivados junto à Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos. Cada protocolo pode reunir uma ou mais denúncias relacionadas à mesma situação.
Para a professora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Christine Keler, denunciar é um passo fundamental para interromper o ciclo da violência, proteger a vítima e responsabilizar os agressores. Segundo ela, a comunicação às autoridades permite a adoção de medidas protetivas, amplia o acesso a serviços de acolhimento e contribui para prevenir novos casos. “Denunciar casos de violência provoca uma série de eventos positivos que podem beneficiar tanto as vítimas quanto a sociedade em geral, sobretudo porque gera uma inquietação social”, afirma.
A especialista também destaca que as denúncias ajudam a combater estigmas relacionados à violência doméstica e incentivam mudanças nas políticas públicas e na conscientização da sociedade. Além disso, mulheres que denunciam podem contar com assistência jurídica, apoio psicológico, atendimento em saúde e acolhimento especializado para superar o trauma.
Entre as orientações, Christine lembra que, em situações de risco iminente, a vítima pode ligar para o 190 e simular um pedido de delivery para alertar a polícia de forma discreta. Também é possível registrar denúncias pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, ou procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), onde podem ser solicitadas medidas protetivas de urgência e iniciado o processo de investigação dos casos de violência.

