O presidente nacional do PSB e prefeito do Recife, João Campos, reiterou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o interesse do partido em manter o vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa à reeleição. Segundo ele, a definição sobre o tema deve ser tratada diretamente entre Lula e Alckmin, sem a participação de intermediários.
Durante encontro realizado nessa terça-feira (10), no Palácio do Planalto, que durou pouco mais de uma hora e não constava na agenda oficial, Campos destacou que Lula tem conhecimento da importância estratégica da vice-presidência para o PSB. O dirigente afirmou confiar na capacidade de diálogo entre o presidente e o vice para conduzir a decisão.
Ao falar com jornalistas após a reunião, o prefeito ressaltou que não cabe a lideranças partidárias interferirem na relação entre Lula e Alckmin. Ele demonstrou “absoluta tranquilidade” quanto às tratativas e classificou a conversa como política, reservada e muito importante.
Além do tema da vice, o encontro também abordou o cenário eleitoral nos estados. João Campos apresentou ao presidente um panorama das alianças em andamento, citando candidaturas ao Senado, aos governos estaduais e apoios recíprocos entre PSB e PT em diferentes regiões do país.
De acordo com o dirigente, a parceria entre as duas siglas permanece sólida desde a última eleição e deve se manter no próximo pleito. Campos afirmou sair da reunião animado e seguro quanto à manutenção da aliança nacional, inclusive nos palanques estaduais que serão formados.
Nos bastidores, a disputa pela vaga de vice ganhou força após Lula declarar, em entrevista na semana passada, que Alckmin tem um “papel a cumprir” em São Paulo nas eleições de 2026. Na mesma ocasião, o presidente também mencionou os nomes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e da ministra do Planejamento, Simone Tebet.
Paralelamente, o presidente consulta o MDB sobre a possibilidade de indicar um nome da sigla para compor a chapa presidencial. Caso essa alternativa avance, Alckmin poderia deixar o posto no alto escalão do governo.
Dentro do PT, há divergências sobre a eventual aliança com o MDB. Parte da legenda avalia que a maioria dos emedebistas ainda resiste à aproximação, embora o cenário possa mudar caso Lula mantenha vantagem nas pesquisas.
Enquanto lideranças do MDB nas regiões Norte e Nordeste defendem o apoio à reeleição do presidente e pleiteiam a vice, integrantes do Sul e Sudeste se posicionam contra a composição. Na segunda-feira (9), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconheceu a complexidade regional do partido ao tratar das conversas para uma possível aliança.

