O embate entre os dois contendores mais comuns na Assembleia Legislativa (ALE) de Alagoas pode acabar resvalando para riscos ao decoro parlamentar.
Há pelo menos um ano, os deputados Ronaldo Medeiros (PT) e Cabo Bebeto (PL) têm protagonizado acirradas discussões em torno do governo federal, do qual o primeiro é adversário ferrenho e de que o segundo é defensor incondicional.
Integrante da direção do Legislativo estadual diz que há esforço da Mesa diretora para não haver prejuízos aos mandatos, por parte dos próprios parlamentares envolvidos.
Nos últimos dias, os mais cáusticos têm sido proferidos pelo apoiador do presidente.
“Passado o momento [das eleições], é hora de pacificação”, diz parlamentar com assento na Assembleia, citando que haveria esforço do presidente da Mesa diretora, nesse sentido.
“É uma posição de estadista”.
A reportagem apurou que houve até uma espécie de intervenção na ata de uma das sessões ordinárias, na semana passada.
“A medida é legítima, é legal e está entre as prerrogativas da Mesa”.
Na prática, a determinação consistiu em retirar da ata os termos com que o deputado estadual Cabo Bebeto se referiu ao deputado federal Paulão (PT), que criticou as manifestações golpistas e denominou seus organizadores de hienas.
Como alguns termos foram considerados pesados, para se referir a um parlamentar, a determinação foi que, em vez de citados os termos, literalmente, a transcrição para a ata trouxesse apenas a palavra “críticas” entre parênteses.
“Nas notas taquigráficas, os termos serão os que usados pelo deputado [Cabo Bebeto]; não houve alteração. O que muda é apenas o que vai constar na ata”, disse fonte com quem a reportagem conversou.
Caso constantes os termos ditos no pronunciamento, o parlamentar poderia estar passível de cassação por quebra do decoro parlamentar.
No episódio mais recente, o embate se deu acerca do “relatório encaminhado pelo Ministério da Defesa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contendo as análises das Forças Armadas sobre o processo eleitoral brasileiro”, diz reportagem da página eletrônica da ALE.
“O primeiro a se posicionar sobre o fato foi o deputado Ronaldo Medeiros (PT), avaliando que o resultado reafirmou o que todos já sabiam”, diz o informe, sobre o episódio, que se deu em sessão da semana passada.
“No entanto, o deputado Cabo Bebeto (PL) externou seu ponto de vista contrário ao posicionamento de Ronaldo Medeiros, observando que, apesar de o relatório das Forças Armadas afirmar que não houve inconsistência entre os dados apresentados nas urnas e disponibilizados pelo TSE, o documento deixa margem a dúvidas quanto à segurança das urnas”, diz a página eletrônica da Assembleia.
“O relatório fala que não dá para ter certeza de nada, que é uma caixa de pandora, uma caixa preta que o Exército não teve acesso a informações importantes. O relatório não aponta que (o processo) é seguro, nem que não é”, acrescenta – mencionando o bordão usado pelos apoiadores do governo federal.
Ainda assim, o parlamentar divulgou nota alegando que teria tido cassado seu direito a fazer aparte em pronunciamento de Medeiros: “viva a democracia”, ironizou o deputado apoiador de Bolsonaro.
Fonte – Portal Acta
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