O ex-ministro da Fazenda e atual quadro do governo, Fernando Haddad, manifestou-se publicamente nesta terça-feira (23) em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA). O parlamentar foi alvo recente de uma operação da Polícia Federal que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo Haddad, sua convivência profissional com o senador em temas econômicos permite atestar que Wagner agiu contrariamente aos interesses da referida instituição financeira, especificamente ao bloquear uma manobra legislativa que expandiria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
De acordo com o relato do ex-ministro, a proposta, que ficou conhecida como Emenda Master, teria beneficiado diretamente o banco. Haddad afirmou que discutiu o assunto com o senador, que na ocasião alinhou-se à orientação do governo e trabalhou para barrar a iniciativa dentro do Senado Federal. Essa declaração ocorre em um momento decisivo da investigação, logo após a defesa de Jaques Wagner recorrer ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para questionar a legalidade das buscas realizadas em seus endereços. Os advogados do senador sustentam que há erros na apuração e reiteram que o parlamentar sempre foi um opositor da emenda proposta por Ciro Nogueira (PP-PI).
A Operação Compliance Zero, que culminou nas buscas, resultou na apreensão de valores em espécie e levantou questionamentos sobre a relação de Wagner com o empresário Augusto Lima, ligado ao Banco Master. Entre os pontos sob escrutínio da PF estão o suposto uso de jatos particulares e a aquisição de ingressos para eventos internacionais. Enquanto a defesa busca reverter as decisões judiciais e provar a ausência de benefícios indevidos, o apoio público de Haddad adiciona um novo elemento político à disputa jurídica que envolve a cúpula do PT no Senado. O STF deve avaliar o recurso da defesa nos próximos dias.

