A segurança pública no Brasil enfrenta um novo desafio: a presença de crianças de apenas nove anos em grupos digitais voltados ao extremismo e à incitação à violência. O alerta foi emitido pelo delegado Paulo Henrique Benelli, coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Segundo o levantamento do órgão, a faixa etária dos investigados por envolvimento nessas atividades ilícitas varia entre 9 e 35 anos, com adolescentes desempenhando um papel ativo na disseminação e reforço de conteúdos violentos nas redes.
Entre janeiro e maio deste ano, 132 suspeitos foram identificados em 21 estados brasileiros, evidenciando a capilaridade dessas articulações criminosas. Nesse período, 10 operações policiais foram deflagradas, com maior incidência em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A atuação mais recente ocorreu na última sexta-feira (19), em Jaraguá (GO), onde a Polícia Federal mirou um adolescente suspeito de coordenar grupos de propagação de ideais extremistas e incentivo a crimes através de dispositivos digitais.
O Ciberlab utiliza ferramentas tecnológicas avançadas para monitorar o ambiente digital, incluindo espaços na deep web, dark web e grupos públicos. A missão do núcleo especializado é mapear a disseminação de discursos de ódio, identificar ameaças e prevenir atentados, como os voltados a instituições de ensino. O trabalho de inteligência tem sido fundamental para subsidiar as polícias estaduais na desarticulação dessas células. As autoridades reforçam que a vigilância sobre esses grupos é contínua e visa não apenas a repressão, mas também a identificação precoce de comportamentos perigosos que podem escalar para crimes concretos, protegendo a sociedade da crescente influência do extremismo online.

