A história do Quilombo dos Palmares, considerado o maior refúgio de escravizados das Américas, ganhará uma nova forma de expressão artística. A obra “Memorial dos Palmares”, publicada pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, será adaptada para o teatro em formato de monólogo, levando ao público reflexões sobre resistência, identidade brasileira e racismo estrutural.
Resultado de cinco décadas de pesquisas do autor Ivan Alves Filho, o livro foi relançado em parceria com instituições voltadas à cultura e à memória afro-brasileira. A publicação se tornou referência pelos estudos sobre Palmares, território que chegou a abrigar cerca de 20 mil pessoas de diferentes etnias durante o período escravista.
A ideia da adaptação teatral surgiu após uma conversa entre Ivan Alves Filho e o ator Déo Garcês, conhecido por trabalhos ligados à dramaturgia antirracista. A montagem pretende transformar a pesquisa histórica em uma experiência de emoção e reflexão, destacando personagens e símbolos da resistência negra, como Zumbi dos Palmares.
Com pesquisas realizadas em arquivos da França e de Portugal, além de consultas a dezenas de bibliotecas, Ivan construiu uma obra reconhecida pelo aprofundamento histórico. Para o autor, conhecer Palmares é compreender uma luta por liberdade, justiça e cidadania, marcada pelo enfrentamento ao sistema colonial.
No palco, Déo Garcês pretende unir ancestralidade, drama e memória em uma produção dirigida por Soraia Arnoni e com produção de Rafael Lydio. O ator destaca que o projeto busca aproximar o público da história afro-brasileira e ampliar o debate sobre as desigualdades ainda presentes na sociedade.
Para a Imprensa Oficial Graciliano Ramos, a adaptação reforça a importância de preservar a memória e valorizar a cultura afro-brasileira. A iniciativa busca manter viva a trajetória de resistência do Quilombo dos Palmares e o legado de quem lutou por liberdade e igualdade.

