O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou nesse domingo (14) em suas redes sociais que Washington e Teerã chegaram a um acordo, e decretou a abertura “sem pedágio” do estreito de Ormuz. “Simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos EUA. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, disse.
Ao New York Times, Trump agradeceu aos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, por auxiliarem na resolução do conflito no Oriente Médio.
Em sua fala Trump também criticou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu: “Ele é um homem muito difícil”, disse. “E, para ser honesto, ele deveria nos agradecer muito por este acordo.”
Esta não foi a primeira vez hoje que críticas do líder norte-americano foram direcionadas ao premiê israelense. Mais cedo ao portal Axios, Trump disse que Netanyahu havia perdido o juízo por conta do ataque das Forças de Defesa de Israel contra Beirute neste domingo. Segundo o presidente norte-americano, o ataque prejudicou a assinatura do acordo com Teerã.
Paralelamente primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também anunciou o acordo nas redes sociais, afirmando que ele inclui o Líbano. “Após intensas negociações, temos o prazer de anunciar que o acordo de paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã foi alcançado. Ambos os lados declararam a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”.
Além de agradecer ao Irã e aos EUA, pelo compromisso em encontrar uma solução diplomática, Islamabad estendeu os cumprimentos ao Catar, pelo “apoio em alcançar este acordo”, e à Arábia Saudita e a Turquia por suas “imensas contribuições”.
Nas redes sociais, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan disse estar satisfeito com a conclusão do acordo e pediu que ambas as partes evitem cair em “provocações e ações que escalem a tensão”.
O que diz o Irã?
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã confirmou, em nota à mídia iraniana, a conclusão das negociações preliminares e que um memorando de entendimento será assinado em 19 de junho, em Genebra, Suíça. “De acordo com os acordos alcançados, a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, terminam imediata e permanentemente. Além disso, o bloqueio naval contra o Irã é encerrado imediata e completamente.”
À agência Tasnim, o vice-primeiro-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que o Irã se retirou da mesa de negociações mais cedo, quando Israel voltou a atacar Beirute e preparou um ataque contra a nação hebraica. No entanto, ao obter mais concessões dos Estados Unidos, especialmente sobre a integridade territorial do Líbano.
Ele explicou que após a assinatura do memorando, haverá um novo período de negociação de 60 dias no qual será discutido um acordo final. Este tocará nas questões:
- Das sanções primárias e secundárias;
- Das resoluções do Conselho de Segurança da ONU;
- Das resoluções do Conselho de Governadores da AIEA;
- De um acordo nuclear com o Irã;
- Da criação de um mecanismo para a reconstrução do Irã.
Estas discussões, no entanto, estão condicionadas na implementação dos compromissos assumidos pela Casa Branca. “Este memorando não significa confiar no inimigo; ele foi escrito com desconfiança ativa. Monitoraremos a implementação dos compromissos dos EUA.”
Por sua vez, em sua entrevista ao NYT, o presidente Trump afirmou que se Washington e Teerã não alcançarem um acordo nuclear ao fim de 60 dias, ele reiniciará os ataques militares contra o Irã ou “tornaria os Estados Unidos o ‘guardião do Oriente Médio’ em troca de 20% das receitas da região”.
Líderes europeus estão prontos para levantar sanções do Irã
Alemanha, França, Reino Unido e Itália afirmaram, em uma declaração conjunta, que estão prontos para suspender as sanções contra o Irã se o país tomar “medidas claras e verificáveis” em relação ao seu programa nuclear. “O Irã jamais deve adquirir uma arma nuclear”, afirmou o grupo, repetindo o mantra do presidente norte-americano. Dos quatro países, França e Reino Unido possuem um arsenal nuclear.
A declaração também pediu a abertura irrestrita do estreito de Ormuz e reafirmou a soberania e a integridade territorial do Líbano.
ONU classifica acordo como ‘crucial’
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, saudou o anúncio do acordo entre os Estados Unidos e o Irã.
Em um comunicado em suas redes, ele afirmou que o fim imediato do conflito e a abertura do estreito de Ormuz são passos cruciais para a resolução diplomática da guerra, e que as partes devem aproveitar este impulso e “redobrar seus esforços” para alcançar uma resolução definitiva.
Segundo a agência de notícias iraniana Mehr, o acordo final entre o Irã e os Estados Unidos deverá ser aprovado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, informou citando um rascunho obtido.
Fonte: Sputnik Brasil

