O anúncio da nova caneta para emagrecimento Ozivy, apresentado como um medicamento “100% brasileiro”, abriu discussão após informações revelarem que parte da matéria-prima usada na fabricação do produto vem do exterior. O lançamento foi celebrado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nas redes sociais, onde destacou a iniciativa como um avanço para a soberania da saúde no país.
Produzida pela farmacêutica EMS, a caneta foi lançada nesta semana, pouco depois do fim da patente do Ozempic. A empresa divulgou o medicamento como um marco da produção nacional, mas um relatório de sustentabilidade da própria companhia informa que o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), considerado a base do medicamento, segue sendo fabricado na Sérvia, em unidade ligada ao laboratório Galenika, pertencente ao grupo controlador da EMS.
A utilização de insumos estrangeiros já havia sido mencionada pelo empresário Carlos Sanchez, proprietário da EMS, que explicou anteriormente que a semaglutida é produzida na fábrica europeia, enquanto etapas como beneficiamento, montagem e envase acontecem no Brasil. Procurado por meio da assessoria do Ministério da Saúde, Alexandre Padilha não comentou o assunto.
Em nota, a EMS reconheceu que alguns insumos são importados, mas afirmou que isso não compromete o caráter nacional do medicamento. Segundo a farmacêutica, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, formulação e fabricação são realizados em território brasileiro. A empresa acrescentou que a dependência de fornecedores internacionais é comum no setor farmacêutico e citou dados da indústria indicando que o Brasil produz apenas cerca de 5% dos insumos usados na fabricação de remédios.

