Alagoas é o estado brasileiro com a maior desigualdade racial nos índices de homicídio do país. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26), e apontam que uma pessoa negra tem 23,3 vezes mais chances de ser vítima de homicídio no estado do que uma pessoa não negra.
O índice coloca Alagoas na primeira posição do ranking nacional de desigualdade racial relacionada à violência letal. A média nacional é significativamente menor: no Brasil, pessoas negras têm, em média, 2,6 vezes mais risco de serem assassinadas em comparação com pessoas não negras.
Segundo o levantamento, o segundo maior índice do país foi registrado no Amapá, com diferença de 16,7 vezes, seguido por Sergipe, com 6,8.
O estudo considera as taxas de homicídio entre pessoas negras e não negras — grupo formado por brancos, amarelos e indígenas — e evidencia o impacto desproporcional da violência sobre a população negra.
De acordo com os pesquisadores, fatores históricos e estruturais ajudam a explicar os números, como o racismo estrutural, a desigualdade social e econômica e as condições de maior vulnerabilidade enfrentadas pela população negra em diversas regiões do país.
Os dados nacionais também reforçam esse cenário. Em 2024, o Brasil registrou mais de 31 mil homicídios de pessoas negras, o equivalente a 77% de todas as mortes violentas contabilizadas no período. Na prática, quase oito em cada dez vítimas de homicídio no país eram negras.
Entre pessoas não negras, foram registrados pouco mais de 9 mil homicídios no mesmo ano. Segundo o Atlas da Violência, a taxa de homicídios entre negros no Brasil é 170,3% maior do que entre não negros.
Na análise dos últimos dez anos, entre 2014 e 2024, o país contabilizou mais de 435 mil assassinatos de pessoas negras, enquanto entre não negros o número ficou em cerca de 132 mil vítimas.

