O Brasil registrou a menor taxa de homicídios dos últimos 11 anos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (26) pelo Atlas da Violência 2026, estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O levantamento aponta que o país manteve a tendência de queda nas mortes violentas, embora especialistas alertem para desigualdades regionais e o avanço da criminalidade em algumas áreas.
De acordo com o estudo, o Brasil encerrou 2025 com uma taxa próxima de 16 homicídios por 100 mil habitantes, considerado o menor índice desde o início da série histórica recente. A redução acompanha um movimento observado nos últimos anos, marcado pela queda gradual nos assassinatos registrados em diferentes regiões do país.
Apesar da melhora no cenário nacional, o relatório destaca que a violência segue concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Estados como Amapá, Bahia e Ceará continuam entre os mais violentos do país em números proporcionais, enquanto estados do Sul e Sudeste mantêm taxas menores de homicídios.
O Atlas também mostra que jovens negros continuam sendo as principais vítimas da violência letal no Brasil. Homens entre 15 e 29 anos representam a parcela mais atingida pelos assassinatos, especialmente em áreas periféricas e regiões marcadas pela atuação do crime organizado.
Outro ponto destacado pelo estudo é a chamada interiorização da violência. Segundo os pesquisadores, ao longo dos últimos anos o problema deixou de estar concentrado apenas nas capitais e passou a atingir cidades médias e municípios do interior, principalmente em áreas próximas a rotas do tráfico de drogas e disputas entre facções criminosas.
De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a redução nacional dos homicídios está relacionada a uma combinação de fatores, como mudanças demográficas, fortalecimento de políticas estaduais de segurança, investimentos em inteligência policial e até acordos entre facções em determinadas regiões.
Mesmo com a redução dos índices, especialistas alertam que o cenário ainda é preocupante devido ao elevado número absoluto de mortes violentas registradas anualmente no país.
O levantamento também aponta diferenças significativas entre os estados brasileiros. Enquanto algumas unidades federativas conseguiram reduzir drasticamente as taxas de homicídio na última década, outras apresentaram crescimento ou estabilidade nos indicadores de violência.
Considerado um dos principais estudos sobre criminalidade no Brasil, o Atlas da Violência utiliza dados oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, além de análises do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O relatório reúne indicadores relacionados a homicídios, violência de gênero, juventude, desigualdade racial e impactos sociais da criminalidade no país.

