Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de investigação sobre o financiamento do filme biográfico “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ação também solicita que a estreia do longa seja adiada para depois das eleições de outubro.
O pedido foi apresentado pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e pelo grupo Prerrogativas. Segundo a representação, o filme pode funcionar como uma peça de comunicação política com potencial impacto eleitoral, especialmente em meio à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os autores da ação afirmam que há indícios de irregularidades envolvendo a origem dos recursos utilizados na produção da obra, estimada em cerca de R$ 61 milhões. Entre as suspeitas apontadas estão possíveis crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e uso indireto de recursos empresariais para fins políticos.
A ação cita reportagens divulgadas pelo Intercept Brasil com mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro, nos quais o senador teria solicitado apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o longa. Segundo as denúncias, parte do dinheiro teria passado pela conta de um advogado ligado à produção do filme.
De acordo com os aliados de Lula, o lançamento do longa próximo ao período eleitoral amplia o risco de que a obra seja utilizada como instrumento de campanha, por meio de divulgação em cinemas, redes sociais, plataformas digitais, entrevistas e ações promocionais.
A representação também utiliza como precedente uma decisão do TSE em 2022 que suspendeu a divulgação do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, produzido pela Brasil Paralelo, durante o período eleitoral.
Já aliados de Flávio Bolsonaro argumentam que o pedido representa censura prévia e citam como comparação o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, transmitido em TV aberta e financiado com recursos públicos. Segundo a defesa, impedir o lançamento do filme poderia representar tratamento desigual entre manifestações culturais ligadas a diferentes grupos políticos.
Até o momento, o TSE ainda não se manifestou sobre o pedido.

