O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu, na noite de quarta-feira (13/5), à divulgação de áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, sobre repasses destinados ao filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o parlamentar mineiro, transparência é o caminho.
O material foi divulgado com exclusividade pelo Intercept Brasil. Nas gravações, Flávio relata dificuldades para arcar com os custos da produção e pressiona Vorcaro por uma posição sobre atrasos nos pagamentos. Documentos e mensagens obtidos pelo Intercept indicam que Vorcaro teria se comprometido a repassar o equivalente a R$ 134 milhões para financiar o projeto, e que pelo menos R$ 61 milhões já haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.
Uma das conversas ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
Diante da repercussão, Nikolas adotou tom cauteloso. “Não acredito em condenações precipitadas, assim como também acredito que transparência é sempre o melhor caminho. Flávio deu sua versão dos fatos e afirmou não haver qualquer ilegalidade em sua conduta”, declarou o deputado.
Para Nikolas, a única forma de elucidar os fatos seria a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master no Congresso. “Quem agora silenciar estará acusando o seu medo e, consequentemente, sua culpa”, afirmou. O parlamentar também questionou a cobertura desigual dos escândalos, comparando a repercussão do caso com outros envolvendo o governo Lula.
O próprio Flávio Bolsonaro negou irregularidades, afirmando que o episódio se trata de “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, sem uso de dinheiro público.

