Um ano após a trágica morte do adolescente Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, em Palmeira dos Índios, o sentimento de indignação e a busca por justiça permanecem vivos. O pai do jovem, Cícero Bezerra Pereira, expressou sua expectativa para a audiência de instrução que avaliará a denúncia contra três policiais militares envolvidos no caso. O procedimento estava previsto para o final de abril, mas foi remarcado para o próximo dia 15 de maio. Para a família, o momento representa o início de um desfecho necessário para punir os responsáveis pela morte do jovem, que foi baleado durante uma abordagem policial em maio de 2025.
O caso gerou polêmica desde o início. Na época, a Polícia Militar alegou que o adolescente praticava manobras perigosas e que teria disparado contra a viatura. No entanto, as investigações da Polícia Civil desmentiram essa versão, confirmando que Gabriel estava desarmado. A perícia indicou que os militares apresentaram um revólver forjado para simular legítima defesa. Embora a polícia tenha indiciado um militar por homicídio culposo, o Ministério Público de Alagoas elevou a gravidade da acusação para homicídio com dolo eventual e qualificado, entendendo que o sargento assumiu o risco de matar ao efetuar o disparo contra a vítima.
Os três policiais envolvidos na ação foram afastados preventivamente pela Justiça ainda em 2025. O episódio mobilizou a Secretaria de Segurança Pública, que realizou uma reprodução simulada para esclarecer as circunstâncias do tiro que vitimou Gabriel. Para os familiares, a perda do adolescente, que trabalhava e não possuía histórico de criminalidade, é uma ferida que não cicatriza. A audiência deste mês é vista como um passo crucial para que o sistema judiciário alagoano responda à sociedade sobre os limites da atuação policial e o rigor necessário diante de abusos cometidos por agentes do Estado.

