A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal abriu uma crise profunda entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Aliados do presidente Lula atribuem ao senador a responsabilidade direta pela derrota histórica, o que gera um clima de incerteza sobre a tramitação de projetos fundamentais. A cinco meses das eleições, o governo teme que o desgaste na relação paralise pautas consideradas vitrines eleitorais, como a PEC da Segurança Pública e o fim da escala de trabalho 6×1.
A PEC da Segurança Pública, que busca integrar as forças da União e dos Estados, está parada no Senado há quase dois meses. O texto aguarda um despacho de Alcolumbre para definir relatoria e rito de tramitação, mas a falta de diálogo travou o avanço da matéria. O governo esperava aprovar a proposta ainda no primeiro semestre para usar o combate à criminalidade como discurso de campanha, mas o cenário conturbado indica que o texto pode não caminhar tão cedo.
Outra prioridade que entra em rota de colisão com a crise é a jornada 6×1. Embora o tema seja extremamente popular, o Planalto teme que o enfraquecimento político no Senado resulte na desidratação do projeto. Para acelerar o debate, o governo enviou um projeto de lei em regime de urgência, mas depende da vontade política de Alcolumbre para pautar temas de interesse do Executivo. Sem uma recomposição da base aliada na Casa Alta, o governo Lula corre o risco de ver suas principais promessas sociais e de segurança reféns do atual embate institucional.

