A arrecadação do governo federal atingiu um patamar histórico em março de 2026, somando R$ 229,2 bilhões. Este é o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica em 1995, representando um crescimento real de 4,99% acima da inflação em comparação ao ano anterior. O desempenho consolidou um primeiro trimestre também recorde, com um montante acumulado de R$ 777,12 bilhões, sinalizando um fôlego extra para as contas públicas e para o cumprimento das metas fiscais estabelecidas para este ano.
O salto na arrecadação foi impulsionado por uma combinação de aquecimento econômico e ajustes na política tributária. Segundo a Receita Federal, o aumento do emprego formal elevou as contribuições previdenciárias, enquanto o consumo robusto turbinou o PIS e a Cofins. No entanto, o grande destaque foi o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que disparou 50,06% no mês após mudanças nas regras de tributação sobre crédito e câmbio. Outro fator inédito que começou a aparecer nos relatórios foi a taxação de dividendos, que em seu primeiro ano de vigência já arrecadou R$ 308 milhões em março, compensando a ampliação da isenção do Imposto de Renda para faixas salariais menores.
Para o governo, esses números são fundamentais na tentativa de alcançar o superávit primário de 0,25% do PIB em 2026. Embora as projeções ainda apontem riscos de déficit ao final do ano, a arrecadação em níveis elevados reduz a pressão sobre o orçamento. A tendência para os próximos meses dependerá da manutenção da massa salarial e da estabilidade do mercado de capitais, mas o início de 2026 reafirma a eficácia das recentes reformas na base tributária brasileira para garantir a sustentabilidade das receitas federais.

