É simbólico que talvez o principal nome, e certamente o mais consistente, da centro esquerda alagoana, o atual vice governador Ronaldo Lessa, apareça anunciando sua unidade com JHC tendo ao fundo uma roda-gigante.
Ronaldo foi vereador, prefeito de Maceió, deputado estadual, deputado federal, governador, vice prefeito de Maceió (com JHC), vice governador e agora candidato novamente a vice na chapa de JHC.
Talvez haja mais carga ideológica no olhar de quem se espantou com esse movimento em zigue zague do que propriamente na jogada de Lessa. Ao fim de sua trajetória político eleitoral, como principal nome do PDT por décadas, partido que, em grande medida, ajudou a moldar à sua imagem, ele parece não compreender essa quadra da história, nem de compreender seu tamanho. É uma decisão individual, que pena.
Seu possível ato-político derradeiro não apaga sua contribuição à história de Alagoas. Mas o gesto, em si, não foi bonito. Não pede aplauso. Assim como também não é inteligente, da nossa parte, carimbar JHC como bolsonarista e tratar isso como fato consumado. Não é. O desafio colocado é outro: reconstruir, no plano nacional, um diálogo com a direita que a afaste da aventura bolsonarista. Embora essa tarefa não absolva Lessa de seu ato.
Um pequeno comentário: o calheirismo sofre do mal do vice. A ver o próximo.
Lessa muda de cena quase batendo a porta, nessa “roda gigante, roda moinho, roda pião”, que é a política eleitoral. E, nesses giros, além de Chico, ecoa Cartola “o mundo é um moinho, vai triturar seus sonhos tão mesquinhos”… ganhando ou não.
Redação Política Alagoana

