A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe a público nesta segunda feira (13) o impacto pessoal e familiar causado pela exposição e pela agressividade do debate político atual. Durante sua participação em um debate na Fundação FHC, com o tema O Brasil na visão das lideranças públicas, a magistrada confessou que familiares próximos a aconselham frequentemente a deixar a Corte. Cármen relatou que o desgaste gerado pela função é intenso e manifestou preocupação com o futuro da instituição, temendo que profissionais qualificados recusem cadeiras no Supremo devido à hostilidade do ambiente.
Em sua fala, a ministra destacou a diferença cruel nos ataques direcionados a magistrados homens e mulheres. Segundo ela, enquanto as críticas aos homens focam em questões administrativas, o discurso de ódio contra as mulheres na Corte assume contornos sexistas, machistas e desmoralizantes. É esse cenário de desrespeito que motiva o apelo constante de seus parentes, que argumentam que ela já cumpriu sua missão no Poder Judiciário. Cármen Lúcia ingressou no STF em 2006, por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e tem sua aposentadoria compulsória prevista apenas para abril de 2029.
A magistrada, que recentemente antecipou sua saída do Tribunal Superior Eleitoral para facilitar a transição da nova presidência nas eleições deste ano, reforçou que o equilíbrio institucional depende da preservação da honra dos ocupantes de cargos públicos. O desabafo da ministra ocorre em um período de forte polarização, onde o Judiciário tem sido alvo recorrente de críticas severas, levantando um debate necessário sobre os limites da crítica pública e o impacto da violência política de gênero no topo da hierarquia jurídica brasileira.

