Uma fonte da Casa Branca afirmou nesta quarta-feira (8) que o plano de 10 pontos divulgado publicamente pelo Irã não corresponde ao documento efetivamente recebido por Washington e usado como base nas negociações.
“O documento ao qual a imprensa se refere não é o plano em que estamos trabalhando. Não vamos negociar publicamente”, declarou a fonte, sob condição de anonimato.
Pouco antes do fim do prazo estabelecido pelos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou uma pausa temporária no conflito, posteriormente confirmada por Teerã. Segundo ele, trata-se de um cessar-fogo com duração de duas semanas, voltado a viabilizar negociações diretas entre as partes.
“Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela seja uma base viável para negociar”, afirmou Trump.
Na terça-feira (7), a Associated Press já havia apontado divergências entre as versões do acordo. Segundo a agência, o texto divulgado pelo Irã em farsi incluía a expressão “aceitação do enriquecimento” em relação ao programa nuclear iraniano — trecho ausente nas versões em inglês distribuídas por diplomatas iranianos à imprensa.
Ainda não está claro por que essa diferença ocorreu. Trump, no entanto, já declarou que o fim total do programa nuclear iraniano é uma condição central para encerrar a guerra.
Também nesta quarta-feira, o Irã voltou a ameaçar bloquear o Estreito de Ormuz e encerrar a trégua anunciada no dia anterior, caso Israel não suspenda operações militares no Líbano, segundo agências estatais iranianas.
Teerã sustenta que o cessar-fogo inclui o território libanês, interpretação rejeitada por Israel.
Pela manhã, a passagem marítima havia sido temporariamente liberada. Com autorização iraniana, os navios cargueiros NJ Earth e Daytona Beach cruzaram a região.
O Estreito de Ormuz é estratégico para o comércio global, concentrando cerca de 20% do transporte mundial de petróleo e gás natural, e vinha registrando queda de aproximadamente 95% no tráfego marítimo desde o início das tensões.

