O governo do Irã afirmou, nesta terça-feira (7), que os Estados Unidos sofreram uma “derrota inegável, histórica e esmagadora” no contexto recente de tensões no Oriente Médio. A declaração foi divulgada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano.
Segundo o comunicado, Teerã avalia que obteve vantagem estratégica após semanas de confrontos, além de fortalecer o apoio interno e de grupos aliados que compõem o chamado “eixo da resistência”.
Ainda conforme a nota, a combinação de ações militares e diplomáticas teria pressionado Washington a considerar um cessar-fogo em termos favoráveis ao governo iraniano.
O posicionamento ocorre após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar uma trégua temporária de bombardeios por duas semanas. A decisão, segundo ele, foi mediada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e pelo chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, e está condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz.
O Irã destacou que qualquer avanço rumo a um cessar-fogo depende da interrupção total dos ataques contra seu território. O país sinalizou que pode suspender operações consideradas defensivas caso haja cessação das ofensivas externas, reforçando uma abertura condicionada à trégua.
Plano de 10 pontos
O documento também menciona propostas em discussão entre as partes, incluindo um plano de 10 pontos atribuído ao Irã e considerado pelos Estados Unidos como base para negociação.
- Garantia de que não haverá novos ataques contra o Irã;
- Manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz;
- Reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio;
- Suspensão de todas as sanções, incluindo primárias e secundárias;
- Encerramento de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
- Pagamento de compensações ao Irã;
- Retirada das forças de combate dos Estados Unidos da região;
- Fim das ações militares em outras frentes, incluindo contra grupos aliados do Irã no Líbano;
- Liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior;
- Aprovação de todos os pontos em uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.
Entre os pontos citados estariam garantias de não agressão, manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio e a suspensão de sanções econômicas.
A iniciativa diplomática tem sido impulsionada pelo Paquistão, que tenta mediar um entendimento em duas etapas: um cessar-fogo imediato seguido por negociações mais amplas.

