No sentido figurado, a palavra “fibra” remete à força de vontade e à firmeza de caráter — qualidades que definem a associação Mulheres de Fibra, formada por dez artesãs no assentamento Água Fria, na zona rural de Maragogi. O grupo transformou o artesanato local ao longo de 15 anos, criando peças únicas com identidade própria.
Fundada por AmaraLúcia de Oliveira e outras nove mulheres, a associação trabalha com a tradicional renda filé, reconhecida como patrimônio cultural de Alagoas. No entanto, o diferencial está no uso da fibra extraída do tronco da bananeira, substituindo as linhas de algodão e criando um estilo inovador na região.
A técnica desenvolvida combina tradição, sustentabilidade e inovação social. Com o passar dos anos, o projeto garantiu autonomia financeira às artesãs e fortaleceu a economia local, tornando-se referência de empreendedorismo feminino e valorização cultural.
Criado de forma informal em 2009, o coletivo foi formalizado dois anos depois com apoio de instituições e parcerias locais. A técnica, inicialmente aprendida com comunidades vizinhas, foi aprimorada por meio de capacitações, resultando em um trabalho cada vez mais sofisticado.
O reconhecimento do grupo também chegou ao setor turístico, com peças presentes no Sais Beach Living Hotel, em Maceió. No local, os produtos são oferecidos como mimos aos hóspedes, promovendo uma conexão direta com a cultura alagoana e ampliando a visibilidade do trabalho das artesãs.

