A saída do ministro Renan Filho do comando do Ministério dos Transportes, prevista para o final deste mês, abre caminho para uma solução de continuidade técnica e política. O atual secretário executivo da pasta, George Santoro, deve assumir o cargo no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento obedece ao calendário eleitoral, já que Renan Filho deixará o posto entre 31 de março e 1º de abril para reassumir seu mandato no Senado e focar na disputa pelo governo de Alagoas.
Santoro não é um nome estranho ao núcleo de poder. Considerado o braço direito de Renan Filho, ele já atua como o número dois da infraestrutura nacional, coordenando projetos estratégicos de concessões rodoviárias e ferroviárias. A parceria entre os dois é longeva e consolidada: Santoro foi o secretário da Fazenda de Alagoas durante toda a gestão de Renan como governador, sendo o principal responsável pelo ajuste fiscal do estado antes de segui-lo para Brasília.
No ministério, Santoro é visto como o operador técnico por trás da maior carteira de concessões da história recente. Sua ascensão ao cargo de ministro é interpretada como uma forma de preservar o ritmo das obras e leilões estruturados pela atual gestão. Recentemente, Santoro reforçou o alinhamento com o aliado ao declarar que Renan Filho retorna ao estado ainda mais preparado e experiente. Se confirmada, a nomeação sela uma transição desenhada para manter o projeto de infraestrutura do governo federal sob a influência direta do grupo político alagoano.

