O relatório final da CPMI do INSS revelou que o Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical (Sindnapi) realizou descontos que somam R$ 599,5 milhões nos benefícios de aposentados ao longo da última década. A entidade, que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula, figura como a terceira que mais arrecadou valores sob suspeita. O documento aponta que 56% desse montante foi recolhido durante o atual governo federal, com um salto expressivo de arrecadação entre 2023 e 2025.
O relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) detalhou que o Sindnapi efetuou mais de 26 milhões de descontos entre 2015 e 2025. Embora Frei Chico tenha sido citado, ele não foi indiciado. No entanto, o presidente da entidade, Milton Cavalo, e a ex-coordenadora jurídica, Tonia Galleti, estão na lista de indiciados. A Justiça Federal já determinou o bloqueio de até meio bilhão de reais do sindicato. As investigações sugerem que acordos de cooperação firmados ainda no primeiro mandato de Lula e renovados em 2023 facilitaram a operação, colocando sob investigação figuras como o ministro Carlos Lupi e o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
Um dos pontos mais graves do relatório envolve indícios de fraudes em termos de adesão. A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou documentos com datas retroativas, onde metadados provam que arquivos supostamente assinados em 2023 foram criados apenas em 2024 por ex-funcionários da entidade. Esse esquema faz parte da investigação conhecida como Farra do INSS, que apura descontos indevidos e sem autorização em folhas de pagamento de milhares de segurados em todo o Brasil.
