O governo dos Estados Unidos estuda classificar as duas maiores facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas. A informação, divulgada nesta sexta-feira (27) pelo jornal The New York Times, aponta que a medida vem sendo debatida pelo Departamento de Estado após fortes pressões da família Bolsonaro junto à diplomacia norte-americana.
A articulação ganhou força com a viagem do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), aos Estados Unidos para participar de um evento conservador em Dallas. Embora a chancelaria dos EUA já tenha sinalizado a possibilidade ao Itamaraty, o governo brasileiro manifestou oposição formal à medida. O argumento da administração Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que tal classificação fere a legislação nacional e coloca em risco a soberania do país, uma vez que o status de terrorismo poderia servir de justificativa para intervenções militares estrangeiras em solo brasileiro.
O tema foi central na reunião desta sexta-feira entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante a cúpula do G7 na França. A estratégia de Donald Trump faz parte de uma ofensiva agressiva contra o tráfico internacional na América Latina, semelhante à adotada contra cartéis venezuelanos que culminou na captura de Nicolás Maduro. Enquanto o Brasil se diz aberto a cooperar no combate ao crime transnacional, resiste veementemente ao selo de terrorismo para grupos criminosos domésticos, temendo precedentes de ingerência externa em sua política de segurança.

