Lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) avaliaram, nos bastidores, como um erro estratégico a conduta do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) ao revelar, nesta sexta-feira (27), uma denúncia de suposto estupro de vulnerável contra o relator da CPMI do INSS, o deputado alagoano Alfredo Gaspar (PL-AL). Sob reserva, parlamentares petistas apontam que o momento escolhido para a exposição foi inadequado e prejudicou a imagem da bancada governista no encerramento dos trabalhos do colegiado.
Segundo interlocutores da sigla, as supostas provas mencionadas por Lindbergh já circulavam há algum tempo e deveriam ter sido tratadas com cautela jurídica, e não utilizadas como munição política no ápice da comissão. A avaliação interna é de que a denúncia, feita durante um bate-boca acalorado, transmitiu a impressão de ser uma tentativa desesperada de desviar o foco do relatório final apresentado por Gaspar. Além disso, o episódio acabou esvaziando o próprio relatório alternativo protocolado pelos governistas, que trazia pontos técnicos relevantes sobre as investigações.
Após a discussão em plenário, Lindbergh Farias convocou uma coletiva de imprensa para informar que protocolou uma notícia-fato na Polícia Federal sobre o caso. No entanto, o isolamento do deputado ficou evidente: apenas a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) o acompanhou na entrevista. Nenhum outro parlamentar do PT participou do anúncio, evidenciando o desconforto da legenda com a forma como a acusação foi tornada pública. O clima na Câmara é de forte tensão, enquanto aliados de Alfredo Gaspar classificam a atitude como uma retaliação política sem precedentes ao trabalho do relator alagoano.

