A publicação da Medida Provisória 1.343/2026 e de duas resoluções da Agência Nacional de Transportes Terrestres mudou o cenário de tensão entre o governo federal e os caminhoneiros. Com a adoção de medidas mais rígidas para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete, lideranças da categoria decidiram suspender a paralisação nacional que vinha sendo articulada nas últimas semanas.
Entre os principais pontos, a Resolução 6.077 estabelece sanções progressivas para empresas que pagarem abaixo do valor mínimo legal, enquanto a Resolução 6.078 impede a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot) nesses casos, inviabilizando o transporte irregular de cargas. As normas regulamentam a medida provisória, que já está em vigor, mas ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para não perder validade nos próximos meses.
O piso mínimo do frete segue critérios técnicos como tipo de carga, distância percorrida, número de eixos do veículo e condições específicas do transporte. O governo também garantiu a atualização automática da tabela sempre que houver variação significativa no preço do diesel, uma demanda histórica da categoria desde a greve de 2018.
Com as novas regras, a ANTT ampliou a fiscalização nas rodovias, incluindo o cruzamento de dados financeiros e logísticos para identificar irregularidades. Após reuniões em Brasília, representantes dos caminhoneiros avaliaram que houve avanço nas negociações, reduzindo a necessidade de protestos. O governo, por sua vez, reforçou o compromisso de manter o diálogo e destacou o papel essencial da categoria no abastecimento do país, afastando, ao menos por enquanto, o risco de uma nova crise logística nacional.

