O inquérito que apura a morte da soldado Gisele Alves Santana revelou que o principal suspeito do crime, o tenente coronel Geraldo Leite Rosa Neto, foi alvo de uma investigação preliminar na Polícia Militar por um suposto relacionamento extraconjugal. O oficial, que está preso desde a última quarta feira (18), é acusado de assassinar a companheira em fevereiro deste ano. Depoimentos obtidos pela Polícia Civil indicam que boatos sobre uma traição com uma subordinada do 49º Batalhão já circulavam na corporação meses antes do crime.
De acordo com as investigações, um superior do tenente coronel relatou ter recebido denúncias em setembro de 2025 sobre o envolvimento de Neto com uma soldado da mesma unidade. Na época, o oficial negou as acusações, mas admitiu que enfrentava uma crise severa no casamento, chegando a dormir em quartos separados de Gisele. Uma segunda denúncia sobre o caso também foi registrada, levando à oitava da policial envolvida, que negou o relacionamento. Logo após esses episódios, Geraldo Neto foi transferido para o Comando de Policiamento de Área (CPA).
Colegas de farda da soldado Gisele afirmaram que as suspeitas de infidelidade eram de conhecimento geral e abalaram profundamente a relação do casal. Gisele teria confidenciado a amigos o desejo de se divorciar após receber mensagens anônimas detalhando a suposta traição. O depoimento do superior hierárquico reforçou que a investigação interna na PM não era um processo administrativo formal, mas uma verificação preliminar para apurar se o tenente coronel estava concedendo benefícios indevidos à subordinada em razão do suposto vínculo afetivo.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o conflito conjugal, alimentado pelas denúncias de traição e pelo processo de separação, tenha sido o estopim para o crime. O tenente coronel permanece detido enquanto a perícia analisa dispositivos eletrônicos e novas testemunhas são convocadas. O caso gera forte repercussão interna na Polícia Militar, expondo fragilidades na disciplina e as consequências trágicas de crises pessoais que transbordam para o ambiente de trabalho da segurança pública.

