O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta feira (20), que o governo federal pretende recomprar a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, privatizada em 2021 durante a gestão de Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu em Betim, Minas Gerais, onde o petista participou de uma agenda na Refinaria Gabriel Passos (Regap). Lula reforçou que, embora o processo possa levar algum tempo, a retomada do controle da unidade baiana, atualmente administrada pela Acelen, é uma prioridade estratégica para garantir a soberania energética do país.
Durante o evento, Lula anunciou investimentos de aproximadamente R$ 9 bilhões da Petrobras na Regap ao longo dos próximos dez anos. O aporte visa ampliar a capacidade de refino e impulsionar a produção de combustíveis sustentáveis, como o diesel renovável e o combustível de aviação (SAF). O presidente destacou que a ampliação do parque de refino nacional é fundamental para reduzir a dependência de importações e proteger o mercado interno contra a volatilidade dos preços internacionais do petróleo, que recentemente voltaram a subir devido a conflitos no Oriente Médio.
Outro ponto central do discurso foi a defesa da criação de estoques reguladores de combustíveis. Lula expressou surpresa ao ser informado pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, de que a estatal não mantém atualmente essas reservas estratégicas. Para o presidente, o Brasil precisa ter ferramentas para intervir em momentos de especulação e crises globais, evitando que altas bruscas no preço do barril prejudiquem o trabalhador e o setor de transportes, que já sinaliza preocupação com os custos do diesel.
A agenda em Minas Gerais também teve um forte componente político, com Lula buscando consolidar alianças no segundo maior colégio eleitoral do país para as eleições de 2026. Após a visita à refinaria, o presidente seguiu para Sete Lagoas para a entrega de ônibus escolares do programa Caminho da Escola. A estratégia do Palácio do Planalto é intensificar as entregas de obras e investimentos federais nos estados, reforçando a narrativa de reconstrução e fortalecimento das empresas estatais como indutoras do desenvolvimento econômico.

