Os presidentes do Congresso, Hugo Motta (Câmara, Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (Senado, União Brasil-AP), têm evitado informar, mesmo entre aliados, se darão andamento a eventuais pedidos de comissões parlamentares de inquérito (CPI) para investigar fraudes no Banco Master. A cautela ocorre em meio à crescente pressão de governistas e da oposição.
A situação ganhou atenção após se tornarem públicas possíveis relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, com políticos e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou, na quinta-feira (12), requerimento para a criação de uma CPI sobre o caso, que precisa de 27 assinaturas para ser protocolado no Senado.
Outra solicitação, apresentada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), propõe apurar a relação de magistrados do STF, incluindo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, com Vorcaro. Na Câmara, deputados como Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Heloísa Helena (Rede-RJ) também defenderam a criação de um colegiado para investigar o caso.
Há ainda pedidos de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), formada por deputados e senadores. O requerimento com mais assinaturas foi apresentado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Apesar de não precisar de autorização dos presidentes das Casas, a oficialização depende da leitura do pedido em sessão conjunta, ato que Alcolumbre tem evitado.
Nos bastidores, parlamentares do Centrão têm se mostrado cautelosos quanto à criação de CPI ou CPMI sobre o Banco Master. Há receio de que uma eventual delação de Vorcaro amplie as investigações e exponha contatos do banqueiro com integrantes do meio político.
O clima de apreensão aumentou após a divulgação de trechos de mensagens do celular de Vorcaro, que teriam mostrado conversas sobre encontros envolvendo Hugo Motta, Ciro Nogueira (PP-PI) e referência a reunião com Alexandre de Moraes. A pressão se intensificou quando o STF decidiu manter a prisão de Vorcaro.
Em outra frente, o ministro Cristiano Zanin, do STF, negou mandado de segurança que pedia à Câmara a instalação de uma CPI para investigar a relação do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB). Zanin afirmou que não há provas de omissão ilegal por parte de Hugo Motta, considerando que o requerimento foi apresentado em 2 de fevereiro.
Enquanto Motta e Alcolumbre evitam dar andamento às comissões, a investigação sobre o Banco Master também se desdobrou na CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), informou que recebeu os arquivos da quebra de sigilo de Vorcaro, disponíveis aos parlamentares em sala-cofre sem acesso a celulares ou dispositivos eletrônicos.
A CPMI do INSS tem prazo de funcionamento até 28 de março, mas parlamentares tentam prorrogar o trabalho por até um mês para analisar dados telemáticos de Vorcaro e outros documentos. No entanto, Viana afirma que Alcolumbre tem ignorado os pedidos de extensão, levando-o a cogitar recorrer ao STF com mandado de segurança.
Parte da oposição mantém ceticismo sobre essas duas frentes, considerando baixa a probabilidade de que Alcolumbre autorize a prorrogação da CPMI ou que o STF obrigue o Congresso a estender as atividades. O objetivo de oposicionistas seria assumir protagonismo em uma CPI ou CPMI específica sobre o Banco Master, mas poucos parlamentares estariam dispostos a liderar a linha de frente da investigação.
Sem uma comissão própria, o tema gerou um duelo de narrativas entre diferentes colegiados. Além da CPMI do INSS, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida por Renan Calheiros (MDB-AL), passou a discutir possíveis desdobramentos do caso Master no sistema financeiro.

